Tragédia climática que afetou Juiz de Fora completa um mês
Psicólogo afirma que é preciso se respeitar neste processo de luto por entes queridos e perda de referências de vida
A catástrofe ocorrida em Juiz de Fora deixou marcas profundas em muitas famílias. A perda de entes queridos, de bens ou de referências de vida desperta sentimentos de tristeza, desamparo e medo. Esses sentimentos são naturais e fazem parte do processo de luto, que exige acolhimento e respeito ao próprio ritmo.
Diante de perdas violentas, o luto pode provocar repercussões amplas no indivíduo, acompanhadas de insegurança e da ruptura da vida como ela era antes. Em situações traumáticas, é comum que a pessoa apresente respostas que podem parecer negativas, como pânico, desesperança ou confusão. No entanto, essas reações fazem parte de um sistema natural de autopreservação, que ajuda a se proteger e a lidar com o perigo imediato.
Em alguns casos, quando a exposição ao trauma é intensa, podem surgir sintomas persistentes, característicos do TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático), como lembranças intrusivas, pesadelos, hipervigilância ou dificuldade para retomar a rotina. Reconhecer esses sinais precocemente e buscar apoio profissional é fundamental.
Em momentos como este, estar próximo de pessoas de confiança, como familiares, amigos ou profissionais de saúde mental, é essencial. O apego seguro ajuda a compartilhar dores, receber apoio e a sentir-se amparado, mesmo em meio à adversidade.
Vamos precisar de tempo para assimilar tudo o que vivemos. Em um momento de reconstrução da cidade e da região, cuidar do que acontece dentro de nós também é parte essencial desse processo.
É normal sentir-se vulnerável. Permita-se sentir, falar e buscar apoio. Evite informações que não contribuam para o seu processo de melhora. O cuidado com a saúde emocional é tão importante quanto reconstruir o que foi perdido.
Se você ou alguém próximo estiver passando por dificuldades emocionais, não hesite em buscar ajuda. Pedir apoio não é fraqueza. É um ato de cuidado consigo mesmo.
Por Vanderson Rocha, psicólogo.
