Abril Verde e o Adoecimento decorrente do Trabalho no Ambiente Bancário
Artigo contextualiza campanha e alerta para a relevância do tema
Por Geíza Taianara*
O mês de Abril passou a ser marco da campanha ABRIL VERDE, instituído como mês de conscientização e prevenção a acidentes e adoecimentos decorrentes do trabalho. Tal mês foi escolhido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em decorrência do Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho, celebrado no dia 28. No Brasil, a Lei nº 11.121/2005 instituiu a data como Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes do Trabalho. De acordo com os dados do SmartLab — Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, órgão ligado ao Ministério Público do Trabalho e à OIT, o Brasil está entre os países com maiores índices de acidentes de trabalho e também mortes vinculadas à questão. Assim, ao falar de adoecimento decorrente do trabalho e acidente de trabalho, é necessário e urgente darmos visibilidade às condições de trabalho e altos índices de adoecimentos dos trabalhadores bancários.
A data em questão é um chamado para as organizações de todo o mundo pensarem em formas de prevenção de acidentes de trabalho, e os cuidados para evitar doenças ocupacionais. Contudo, considerada a imposição de um contexto de profunda exploração a qual a classe trabalhadora bancária está sendo exposta, é impossível pensarmos na criação de uma cultura mais saudável para o ambiente de trabalho, sem falarmos das condições de trabalho dadas, as suas formas de precarização, e a cultura corporativista ancorada em todos os preconceitos estruturais presentes na sociedade capitalista. Além disso, mais do que discutir uma cultura de prevenção é cuidado com os colaboradores, é preciso chamar à responsabilidade os gestores e detentores do comando da máquina capitalista no corporativismo bancário, a fim de minimizar as condições e tratativas que recaem no adoecimento, tais como assédio moral, assédio sexual, cobranças indevidas, desvios de funções, abusos de autoridade e poder, e outras questões.
O ambiente de trabalho bancário promove à cultura perfeita para a incidência de adoecimentos relacionados principalmente à saúde mental, decorrentes do estabelecimento de metas inalcançáveis, cobranças excessivas, ameaças de demissão e outras questões. A cultura organizacional, é permeada ainda de incidências de outras formas de abusos, com recorrências de preconceitos inerentes a essa sociedade, tais como machismo, racismo, homofobia, gordofobia e outras situações, que comumente levam trabalhadores à agudização dos processos de adoecimentos. Assim, discutir prevenção de acidentes de trabalho e adoecimentos decorrentes do trabalho, é também discutir as condições dadas aos trabalhadores por seus líderes e gestores, os enfrentamentos e culturas criados no ambiente organizacional para o combate das discriminações, o repúdio e formas de combate aos assédios e abusos dentro das organizações.
Quando as gestões e coordenações fogem à essas responsabilidades, ignorando denúncias e promovendo perseguições aos trabalhadores que não acatam condições desumanas de trabalho e cobranças abusivas, é importante que os trabalhadores não se calem, e procurem os órgãos de representações de classes. Insta lembrar que o adoecimento no âmbito da saúde mental, ocasionado por metas abusivas, ambiente de trabalho com incidência das questões postas acima e lideranças que se valem da autoridade para cometer assédios e abusos de poder, recaem na condição de esgotamento mental proveniente do trabalho, caracterizado por “Bournout”. O bournout é uma condição de adoecimento que dá direito ao afastamento do trabalho na condição de acidente de trabalho, resguardando o trabalhador, com a abertura de CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho). Infelizmente, o bournout é uma condição de adoecimento crescente e recorrente entre trabalhadores bancários. Para prevenção dessa questão e cuidado com a saúde mental dos trabalhadores bancários, o SINTRAF JF tem tomado medidas de acompanhamento, criação de Grupo de Apoio Psicológico e ações de mobilização de debate com as gestões dos bancos.
* Assistente Social Pós Graduada em Política Social, Serviço Social e Supervisão de Estágio.
