Saúde Mental e Ambiente de Trabalho
Leia o artigo da psicóloga do Sindicato
Por Taciara Oliveira Scarton*
Um dos fatores que afetam diretamente a nossa saúde mental é o ambiente de trabalho, e não me refiro aqui ao ambiente físico, mas ao subjetivo – aquele que envolve as relações, cobranças, valores e sentimentos que o trabalho nos provoca. Assim, dependendo de como está o “clima” dentro da empresa, nossa percepção do trabalho pode ser de realização ou de sofrimento, e quando este último se mantém frequente acaba gerando o adoecimento psíquico.
Quando penso no ambiente das agências bancárias, questiono como é possível se manter mentalmente saudável em um ambiente em que há pressão o tempo todo para cumprimento de tarefas, com cobranças que chegam ao extremo do assédio, metas que aumentam mês a mês - muitas vezes levando o funcionário a ceder seus valores para cumpri-las – com superlotação e clientes nervosos, processos demorados, burocracias, vendas e atendimento ao público, sem horário para almoçar, sem tempo de respirar.
Por isso, tantos bancários procuram o sindicato para ter uma ajuda, e cada vez mais, os vejo exaustos, cansados de tudo, dando conta da vida nem se sabe como. Mas afinal, que trabalho é este que consome todo o ser? Que faz sentir incapaz? Que mina a energia e tira o sentido da vida? O trabalho não deveria causar tais sensações, trabalho é dignidade, é de onde tiramos nosso sustento, é o que nos faz sentir pertencentes e “úteis” – contribuintes da sociedade – o trabalho nos traz identidade.
Então, como naturalizar tanto sofrimento vivido nas agências bancárias? Onde o costume em não sentir-se bem pode ser natural? Apenas em uma sociedade em que a produção é supervalorizada, que estimula sermos produtivos todo o tempo e a todo custo, em que ser um workaholic se tornou um valor. Hoje se tornou bonito postar nas redes sociais a quantidade de trabalho que se tem, as altas horas da madrugada em que se vira trabalhando e o salgado que está comendo no lugar do almoço por falta de tempo. Nos esquecemos que tudo tem um custo e neste caso é a nossa saúde, nosso bem estar. Não é por acaso que os transtornos de ansiedade têm aumentando em números monstruosos, junto com as crises de pânico, bournout, exaustão mental, depressão.
Precisamos urgentemente mudar essa realidade, olhar para nós enquanto pessoas, enquanto seres humanos e não como máquinas. É preciso trazer conscientização para as organizações, gestores e funcionários e cobrar das instituições mudanças permanentes no ambiente de trabalho que visem proporcionar qualidade de vida neste meio, que favoreça a saúde mental do funcionário e que, dessa forma, possibilite que o trabalho cumpra com sua função social.
*Psicóloga Clínica – Terapeuta Cognitivo-Comportamental, Psicóloga do SINTRAF JF
CRP- 04/45740 – Contato (32) 98827-4852
