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Dia Nacional da Consciência Negra

Dedicado à reflexão sobre toda a trajetória de luta e resistência dos negros à escravidão, 20 de novembro é celebrado o dia da consciência negra.

A história do nosso país é permeada pelo racismo desde o período da colonização. Ainda que o mito da democracia racial se apresente e seja defendido por parte da sociedade, a discriminação racial e a exclusão dos (as) negros (as) ainda são percebidas e vivenciadas nos espaços de trabalho e na vida social. No mês em que a consciência negra é festejada, as manifestações de apoio à luta e organização dos (as) negros (as) ganham destaque. No entanto, cabe a nós mais que apoiar e festejar as conquistas. Como a origem da data indica, este é um período de reflexão sobre o muito que ainda temos que avançar e de reconhecimento e respeito à história de luta e resistência dos (as) negros (as).


Considerando que o processo de formação da classe trabalhadora antecede ao período de intensificação da industrialização e urbanização, iniciado na década de 1930, verifica-se que o trabalho escravo não era restrito aos grandes latifúndios, estava presente também nos centros das cidades, nos portos, no transporte de mercadorias e serviços domésticos. Nesses espaços, trabalhadores escravizados e livres conviviam nas ruas, moradias e locais de trabalho. O que nos faz reconhecer que a base de construção da classe trabalhadora tem sua raiz nos embates travados pelos (as) escravos (as) pela liberdade e por condições dignas de trabalho.


O “Movimento Negro Unificado contra a discriminação racial” foi organizado a partir de atos pelo fim das discriminações sofridas pelos (as) negros (as) e possuía como objetivo primário realizar a unificação do movimento e das entidades que dele faziam parte, fato que não se concretizou devido a grande pluralidade da militância que o instituiu. 


Um dos atos realizados por esse movimento que merece destaque foi a criação do “Dia Nacional da Consciência Negra” celebrado por nós brasileiros em 20 de novembro. Esse dia é dedicado à reflexão sobre toda a trajetória de luta e resistência dos negros à escravidão, conforme pontuamos anteriormente. Mais que isso, indica que mesmo com o fim da escravidão, o povo brasileiro, composto majoritariamente por negros, vivencia os efeitos dessa triste história de exploração e racismo refletida na inserção desigual dos (as) negros (as) no mundo do trabalho e na vida social.


Houve avanços, a partir de muita luta, como a criminalização do racismo, a instituição de cotas nas universidades e nos concursos públicos de nível federal. No entanto, o racismo enraizado e camuflado pelo mito da democracia racial expõe, da forma mais cruel e naturalizada, o preconceito de muitos nos noticiários dos jornais, aeroportos, restaurantes, universidades, festas e espaços de trabalho.


Considerando a categoria bancária, necessitamos de dados recentes para quantificar a presença dos (as) negros (as) nos bancos. Mas não é difícil perceber, visitando as agências, a escassa presença. A Contraf/CUT, demais federações e sindicatos se reuniram neste mês com a Fenaban, logo após a campanha salarial, para retomar a mesa temática de Igualdade de Oportunidades e cobrar da federação os dados completos do II Censo da Diversidade. A partir desses dados será possível conhecer e avaliar o perfil da categoria e construir ações de combate às discriminações.


Os dados apresentados de forma preliminar, baseados nos bancários que já responderam e se declaram brancos ou negros, apontam que 74,6% da categoria é composta por trabalhadores brancos e 24,9% negros. Cabe destacar que as desigualdades de gênero presentes na categoria contribuem para a discriminação racial das mulheres.


A realidade posta mostra que a luta pela liberdade dos (as) negros (as) jamais cessou, é atual e extremamente necessária. Precisamos todos os dias recorrer à herança de luta de Zumbi, Dandara e tantos outros, para enfrentar as desigualdades a que os (as) negos (as) são submetidos no Brasil, onde recebem os piores salários e convivem com o extermínio cotidiano da juventude negra pelo tráfico e pela polícia.


Espera-se que o dia da Consciência Negra seja marcado não só pelas festividades, mas também pela luta contra o preconceito racial e pelo reconhecimento da importância dos (as) negros (as) e de sua cultura para nossa formação sócio-histórica.