Sindicatos de Juiz de Fora entregam Carta de Reivindicações ao Governo Federal 
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Sindicatos de Juiz de Fora entregam Carta de Reivindicações ao Governo Federal

Carta elenca demandas urgentes dos trabalhadores afetados pelas chuvas intensas na cidade

Na manhã do último sábado, 28 de fevereiro, representantes de diversos sindicatos de Juiz de Fora, entre eles a presidenta do SINTRAF JF, Taiomara Neto de Paula, se reuniram e formularam uma pauta de reivindicações ao governo federal. A carta elencou medidas com o foco em garantir atendimentos essenciais aos trabalhadores neste momento de calamidade pública. 

À tarde, representantes dessa mobilização de sindicalistas se dirigiram à Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves, local visitado pelo presidente Lula e entregaram a carta em mãos. 

O documento também foi protocolado junto à comitiva da Presidência da República, durante reunião de Lula com autoridades.

Confira a carta na íntegra:

Juiz de Fora, 28 de fevereiro de 2026

Ao Excelentíssimo Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República,

A cidade de Juiz de Fora e diversas cidades da Região da Zona da Mata mineira enfrentam uma crise climática sem precedentes, com altíssimo volume pluviométrico que deixou dezenas de mortos, alguns ainda desaparecidos e milhares de pessoas desabrigadas e com suas casas condenadas pela Defesa Civil.

Grande parte dos trabalhadores enfrenta situação desesperadora, escolas estão fechadas ou funcionando como abrigos, comércio e indústria foram fechados e ainda não é possível ter a dimensão completa dos estragos causados.

Os serviços públicos municipais, estaduais e federais estão funcionando sob forte tensão para procurar salvar o máximo de pessoas possível, garantir a segurança da população e a continuidade dos serviços prestados.

O número de voluntários e de doações é enorme e mostra a dimensão da solidariedade do povo brasileiro.

No entanto, temos consciência de que, mesmo sem a dimensão completa dos estragos, há medidas urgentes para garantir a segurança de todos, e, uma vez passada a crise mais imediata, estaremos diante de um longo período de recuperação em que será fundamental a ação dos governos para reconstruir as cidades afetadas e garantir o bem-estar da população, especialmente do Governo Federal.

Neste sentido, os sindicatos saúdam os anúncios já realizados, como a possibilidade de saque de uma parcela do FGTS, a construção de moradias através do Minha Casa Minha Vida e a promessa de R$ 200.000,00 para as famílias que perderam seus imóveis poderem adquirir ou construir um novo imóvel.

No entanto, é fundamental que tenhamos estabelecidas pelo Governo Federal uma série de medidas que listamos na forma das reivindicações abaixo:

- Decreto e medidas do Governo Federal para garantir que não ocorra nenhuma demissão durante a calamidade pública nas cidades afetadas;
- Medida Provisória garantindo a prorrogação das convenções coletivas por 180 dias (extensão da ultratividade), nas cidades afetadas, a pedido das representações sindicais dos trabalhadores;
- Política de Renda mínima para os trabalhadores e assalariados rurais, informais, pejotizados e de aplicativos;
- Garantia de nenhuma punição ou desconto para quem não conseguir chegar ao local de trabalho em função da situação de calamidade;
- Garantia de abono de dias caso o trabalhador tenha faltado em função da calamidade;
- Impedimento de cancelamento de reajustes ou rebaixamento de direitos;
- Liberação do FGTS sem limites, para trabalhadores que tiveram suas propriedades e bens destruídos, e garantia dos valores pela FAT, mesmo quando não depositados pelas empresas, até a sua cobrança pelo estado;
- Linhas de crédito facilitado para empresas atingidas pelas chuvas e deslizamentos na cidade;
- Linhas de crédito facilitado para pessoas afetadas diretamente pela calamidade;
- Isenção de imposto para MEIs durante o período da calamidade pública e anistia para as dívidas ativas dos MEIs para garantir o acesso a linhas de crédito;
- Garantia de prorrogação do emprego dos jovens aprendizes durante o período de calamidade;
- A suspensão da cobrança dos empréstimos consignados com diminuição dos juros para os trabalhadores das cidades afetadas;
- Antecipação da restituição do Imposto de Renda para todos os CPFs de Juiz de Fora para injeção de recursos na economia local afetada pelas chuvas;
- Antecipação do 13º de aposentados e segurados do INSS e servidores federais das cidades afetadas;
- Antecipação do abono salarial 2026 dos trabalhadores com carteira assinada (PIS/PASEP) nas cidades afetadas;
- Auxílio de Reconstrução de R$ 5500,00 por família atingida (que deixou ou perdeu sua moradia) num prazo de até 30 dias, nos moldes daquele concedido no Rio Grande do Sul em 2024;
- Seguro-Desemprego: liberação de 2 parcelas adicionais do seguro-desemprego para os desempregados que já estavam recebendo antes da decretação de calamidade, ao final da última parcela, como foi feito no caso do RS;
- Instauração de um Comitê de Crise para fazer um levantamento do que os trabalhadores que estão na linha de frente do enfrentamento à calamidade (Defesa Civil, saúde, limpeza urbana, serviço funerário, jornalistas, trabalhadores do canil e trabalhadores de aplicativo, Correios e bancários) estão passando ao nível estrutural, sanitário e psicológico;
- Manutenção da Força Nacional do SUS nas cidades afetadas, para acompanhar e monitorar as doenças decorrentes da situação de calamidade, por pelo menos 180 dias;
- Atenção especial do governo federal à UFJF, com destaque à situação do Hospital Universitário e do Colégio de Aplicação João XXIII, cujas estruturas físicas foram consideravelmente danificadas pelas chuvas que atingiram Juiz de Fora, agravando problemas pré-existentes;
- Garantias de instrumentos de controle social dos recursos para o enfrentamento da calamidade e da situação de emergência. Neste sentido, o governo federal, além de instituir espaços próprios de controle social, deve exigir que os municípios contemplados com recursos públicos instituam obrigatoriamente, por lei específica, conselhos tripartites de gestão e monitoramento com representação da sociedade civil, garantindo a participação das entidades sindicais locais;
- Financiamento de um estudo para tornar a cidade mais segura diante de eventos climáticos extremos;
- Apresentação de um plano de recuperação e prevenção para equipamentos públicos afetados.

* Assinam a carta:

Associação de Professores do Ensino Superior de Juiz de Fora (APES-JF)
Associação dos Motoboys, Motogirls e Entregadores de Juiz de Fora (AMMEJUF)
Sindicato dos Bancários de Juiz de Fora e Região (Sintraf-JF)
Sindicato dos Empregados da Indústria de Água e Esgoto de Juiz de Fora (Sinágua)
Sindicato dos Empregados no Comércio de Juiz de Fora (SECJF)
Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora (SJPJF)
Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (Sinpro-JF)
Sindicato dos Servidores Federais - Subsede Juiz de Fora (Sindsep)
Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Juiz de Fora (Sinserpu)
Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Juiz de Fora (Sinduscon)
Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Têxtil de Juiz de Fora (Sindtexteis)
Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais - Subsede Juiz de Fora (Sindsaúde)
Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Químicas de Juiz de Fora (SindQuímicos)
Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Juiz de Fora e região (Sintect-JFA)
Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Juiz de Fora e Região (Sinteac)
Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Juiz de Fora (Sinttro)
Sindicato dos Trabalhadores Unificados da Educação - Subsede Juiz de Fora (Sindute)