1º Seminário de Mulheres da Fetrafi-MG promove diálogo sobre mercado de trabalho e combate a violência
Dirigentes do SINTRAF JF marcam presença
Nesta quarta-feira, 11, a FETRAFI-MG promoveu o 1º Seminário de Mulheres, em Belo Horizonte. Tendo como tema: “Reconhecendo sinais, quebrando ciclos, construindo redes: o combate à violência contra a mulher é coletivo”, o evento reuniu dirigentes dos sindicatos de todo o estado.
A representação do Sindicato foi composta pela presidenta, Taiomara Neto de Paula, as diretoras Lívia Terra, Fabiana Vital, Zuleika Lima e o diretor João Hilário de Souza Neto.
A mesa contou com a presença d@s palestrantes Raquel Fernandes, advogada de mulheres; a psicóloga e coordenadora do Grupo de Apoio Psicológico do SINTRAF JF, Taciara Scarton; e o presidente do Sindicato dos Bancários de BH e Região, Ramon Peres. Também compôs a mesa a presidenta do SINTRAF JF, Taiomara Neto de Paula, o presidente do Sindicato dos Bancários de Uberaba e Região, Diego Bunazar, e a secretária da mulher da Fetrafi-MG, Helyany Gomes Oliveira.
Raquel explicou sobre a abrangência da Lei Maria da Penha, que contempla desde formas de prevenção a acolhimento. “A lei de violência contra mulher do Brasil é uma das mais completas do mundo, não existe uma lei que promova mais acolhimento que a do Brasil. Não precisamos de mais leis, o que precisamos é que o Judiciário pare de distorcer a legislação”, afirmou.
Para ela, alguns pontos importantes para a desconstrução do patriarcado são a conscientização e empoderamento das mulheres, a promoção de formas de independência financeira feminina, a criação de redes de apoios, além de travar o debate no âmbito político, e especialmente buscar o fortalecimento da educação. “O primeiro passo é a educação. Eduque seus filhos e filhas”.
Ramon abordou a realidade das mulheres no mercado de trabalho na categoria bancária, em que a participação feminina está em declínio e longe da igualdade salarial. Segundo dados do Dieese, entre 2014 e 2024 a participação feminina na categoria bancária caiu em 2%. Além disso, as mulheres bancárias recebem em média 17% a menos que os homens. Ao fazer um recorte racial, a diferença salarial de mulheres negras para homens sobe para 37%.
O presidente do Seeb-BH destacou que é necessário uma mudança estrutural para que o mercado de trabalho pare de excluir as mulheres e repense valores machistas da sociedade. “A cultura organizacional que queremos é uma que exclui ou inclui mulheres? Para incluir, temos que mudar valores, rituais, crenças e valores”, ressaltou.
Os impactos da violência contra a mulher na saúde mental foi o tema abordado pela psicóloga Taciara Scarton. Ela apontou para a posição de vulnerabilidade em que o trauma deixa as vítimas. O trauma causa impactos físicos, como insônia e dores, impactos emocionais como medo constante e impactos sociais como a baixa autoestima e isolamento. “A violência é uma agressão que gera um sofrimento psíquico intenso. Quando o cérebro não consegue processar esse evento adequadamente ele se torna um trauma, que pode levar a uma patologia, como depressão, ansiedade e doenças psicossomáticas”, afirmou.
Para ela, o combate passa por reconhecer, quebrar ciclos, rejeitar a culpabilização da vítima e a ideia de que assédio ou agressão são só elogios ou brincadeiras. Taciara também destacou que a construção de redes de apoio é essencial e que o movimento sindical é um importante espaço para isso. “Não dá para ficar alimentando rivalidade entre mulheres, a gente precisa se unir e precisamos que os homens se unam a nós. E é fundamental que o sindicato seja um lugar que promova essa união, que ajude, apoie e empodere mulheres”.
Fonte: FETRAFI-MG.



















