Entrevista: Vagner Freitas
O presidente da CUT Nacional conversa com o Sintraf JF sobre a classe trabalhadora e seus desafios
Boletim dos Bancários - No dia 1º de maio de 2013, a classe trabalhadora brasileira terá motivos para comemorar ou para protestar?
Vagner Freitas – Esta data simboliza a luta dos trabalhadores por direitos, trabalho decente, salário digno, relações democráticas no local de trabalho. Sempre será um dia de reflexão, de mobilização, de expor à sociedade as reivindicações da classe trabalhadora e porque a nossa pauta é importante para o país, não apenas para os (as) trabalhadores (as) filiados a sindicatos CUTistas. Mas, é claro, é também um dia para comemorarmos as conquistas, como isenção de imposto de renda na PLR, anunciada depois de muitas mobilizações em várias cidades do país e muita negociação com o governo Federal.
E este ano, queremos anunciar a conquista de alguns itens da nossa pauta de reivindicação entregue à presidenta Dilma Rousseff no dia 6 de março, após a Marcha da Classe Trabalhadora. Estamos lutando pela redução de jornada para 40 horas semanais sem redução de salário e pelo fim do fator previdenciário, entre outros itens.
Boletim dos Bancários - Como as entidades de classe (Sindicatos e Centrais) podem e devem atuar no cenário político/econômico em defesa dos trabalhadores? Esses cenários são favoráveis ou desfavoráveis aos trabalhadores?
VF - Para o sindicalismo combativo e atuante, nenhum cenário político impede o embate, o confronto, a luta capital x trabalho. A diferença é que em períodos de exceção temos de enfrentar a polícia política para defender os direitos conquistados. Os avanços se tornam inviáveis, como foi durante a Ditadura. Já a democracia e, em especial, os governos comprometidos com os interesses da classe trabalhadora, nos possibilita lutar por avanços, por melhores condições de trabalho e renda, por mais benefícios para os trabalhadores e as trabalhadoras.
Quanto aos cenários, lembro sempre que durante o governo militar, o PIB brasileiro cresceu a uma taxa média de cerca de 10% ao ano. Esse "milagre econômico" garantiu “estabilidade política e econômica para investidores”, aumento nos rendimentos dos profissionais liberais. Já os assalariados, tiveram rendimentos achatados, congelados; quem vivia na extrema pobreza foi ignorado e os sindicalistas foram fortemente reprimidos.
Já durante os governos compromissados com os interesses da classe trabalhadora, eleitos pelo voto popular, em especial os governos do nosso presidente Lula e da Dilma, apesar do crescimento da economia não ter chegado aos dois dígitos, estamos conquistando mais empregos e melhores salários, além da distribuição de renda e do combate à miséria que atingiram números recordes nos últimos dez anos. Enfim, temos um governo que prioriza o crescimento com distribuição de renda, melhoria da escolaridade dos mais pobres e melhoria da qualidade de vida de toda a sociedade. É um governo de todos!
Boletim dos Bancários - A categoria bancária é tida como referência de organização para outras classes trabalhadoras, principalmente pela sua convenção coletiva nacional. Na sua opinião, quais os principais desafios que o modelo econômico atual coloca para os bancários e bancárias do Brasil?
VF - O maior desafio é a luta contra as metas abusivas e a terceirização da mão de obra. As metas abusivas enlouquecem a vida dos bancários e bancárias, enquanto a terceirização acaba servindo mais para aumentar os lucros dos banqueiros e precarizar as condições de trabalho de milhões de pessoas que prestam serviços aos bancos, mas não têm os mesmos direitos que os bancários.
Mesmo o governo sendo mais progressista e tendo incluindo no emprego formal milhões de brasileiros/as, precisamos garantir que todos os/as trabalhadores/as que prestam serviços aos bancos sejam considerados bancários/as. Assim, voltaremos a ter mais de um milhão de pessoas como trabalhadores/as do ramo financeiro reconhecidos profissionalmente como categoria bancária.
Boletim dos Bancários - Uma das demandas da categoria bancária é a reforma do sistema financeiro. Qual a importância de se discutir esse tema em uma Conferência Nacional, como propõem os trabalhadores e trabalhadoras?
VF - A sociedade brasileira precisa discutir, urgentemente, o papel dos bancos. Está mais do que na hora das instituições financeiras investirem no desenvolvimento econômico e sustentável do País.
Além disso, é importante realizar a conferência para discutir a ampliação e o barateamento do crédito que mantém o mercado interno aquecido e impede que o Brasil seja contaminado pelas crises financeiras internacionais como ocorria nos governos anteriores, em especial, durante o período FHC.
A presidenta Dilma já aprovou a proposta da Contraf-CUT de realização da conferência e se comprometeu a trabalhar para que seja realizada de forma ampliada. A presidenta quer discutir também os direitos dos consumidores. E nós concordamos com isso. É de interesse de toda a classe trabalhadora debater soluções para baratear os altos juros dos cartões de crédito e do cheque especial e também as tarifas bancárias.
A geração de emprego e a valorização do salário mínimo que contribuiu também para melhorar os pisos de diversas categorias profissionais, aliadas as políticas de inclusão social e transferência de renda dos governos Lula e Dilma, ampliaram o poder de compra dos trabalhadores e de grande parte dos brasileiros que antes eram excluídos do mercado de consumo. Esses novos consumidores, ou essa nova classe média, passou a ter acesso a serviços muito caros, bem acima dos padrões internacionais. Temos de discutir redução de tarifas e juros e atender melhor a população. Por tudo isso, a nossa conferência é fundamental e urgente.