Dia Nacional de Luta denuncia demissões e fechamento de agências no Bradesco
Em plena Campanha Nacional dos Bancários 2026, banco mantém política de redução de postos de trabalho e unidades de atendimento; enquanto o lucro cresce, empregos desaparecem
Bancárias e bancários do Bradesco de todo o país realizam nesta terça-feira, 11, um Dia Nacional de Luta contra as demissões e o fechamento de agências. A mobilização integra o calendário de luta dos trabalhadores do banco e denuncia uma contradição cada vez mais evidente: enquanto a lucratividade avança, o Bradesco continua eliminando empregos e reduzindo agências de atendimento.
Em Juiz de Fora, dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Zona da Mata e Sul de Minas realizaram um ato em uma agência do Bradesco no centro da cidade para denunciar a situação dos funcionários, e os os impactos da política adotada pelo banco nos clientes e a população. Cartazes também escancaravam a insatisfação dos trabalhadores.
O movimento sindical cobra a interrupção das demissões, a preservação dos postos de trabalho e a manutenção de uma rede de atendimento capaz de responder às necessidades da população.
Lucro aumenta, empregos desaparecem
Os números ajudam a dimensionar a contradição denunciada pelos trabalhadores. O Bradesco encerrou o primeiro semestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 13,861 bilhões, crescimento de 16,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Ao mesmo tempo em que amplia seus resultados, o banco segue promovendo uma profunda redução de sua estrutura física e de seu quadro de trabalhadores.
Dados apresentados pelo movimento sindical apontavam que, somente nos 12 meses encerrados no primeiro trimestre de 2026, a holding Bradesco havia eliminado 3.017 postos de trabalho. Considerando especificamente os bancários, foram 3.131 vagas a menos. No mesmo período, foram fechadas 346 agências, além de 1.053 postos de atendimento e 15 unidades de negócios.
A redução acontece justamente enquanto o banco amplia sua base de negócios. No mesmo intervalo em que milhares de empregos foram eliminados, o Bradesco conquistou cerca de 500 mil novos clientes.
Para o movimento sindical, essa conta não pode continuar sendo paga pelos trabalhadores.
Fechamento de agências também prejudica a população
As consequências dessa política ultrapassam os limites das relações de trabalho. Cada agência fechada significa menos atendimento presencial para a população, além da transferência de clientes para unidades que permanecem abertas e da consequente sobrecarga dos trabalhadores.
Idosos, aposentados, pessoas com dificuldades de acesso aos canais digitais e clientes que precisam resolver operações mais complexas presencialmente estão entre os mais prejudicados pela redução da rede física.
Para os funcionários que permanecem no banco, o enxugamento das equipes pode representar aumento da sobrecarga, pressão por resultados, acúmulo de funções, insegurança diante da possibilidade de novas demissões e consequente adoecimento.
O movimento sindical defende que avanços tecnológicos e mudanças no modelo de atendimento não podem servir de justificativa para uma política permanente de eliminação de empregos. Reestruturações devem ser negociadas com os representantes dos trabalhadores, priorizando realocação, qualificação profissional e preservação dos postos de trabalho.
Demissões em plena Campanha Nacional
A manutenção dos cortes ganha ainda mais gravidade por acontecer em plena Campanha Nacional dos Bancários 2026, período em que a categoria está mobilizada pela renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), valorização profissional, defesa dos empregos, melhores condições de trabalho e ampliação de direitos.
Em junho, representantes dos funcionários do Bradesco de todo o país definiram as demissões e o fechamento de agências entre as principais prioridades da pauta específica dos trabalhadores do banco.
No final de julho, a Comissão de Organização dos Empregados (COE) entregou formalmente ao Bradesco a pauta específica de reivindicações. A defesa do emprego e dos direitos dos bancários está no centro das cobranças feitas à instituição.
O Dia Nacional de Luta reforça, portanto, o recado dos trabalhadores: não é aceitável que um banco que acumula resultados bilionários continue tratando empregos e agências como custos a serem simplesmente eliminados.
O SINTRAF JF seguirá mobilizando a categoria e denunciando os impactos dessa política. Os resultados apresentados pelo Bradesco são construídos diariamente pelo trabalho de milhares de bancárias e bancários. Valorizar quem produz esses resultados significa garantir emprego, condições dignas de trabalho, respeito e atendimento de qualidade à população.
Lucro cresce, emprego diminui? Essa conta não fecha. O Bradesco precisa respeitar seus trabalhadores e seus clientes.

