28ª Conferência Estadual dos Bancários de Minas Gerais - Trabalhadores e trabalhadoras unidos construindo o futuro
Debates sobre conjuntura, eleições, empoderamento feminino, desafios à organização e mobilização da categoria em pauta
A Fetrafi-MG realizou nos dias 22 e 23 de maio a 28ª Conferência Estadual d@s Bancários de Minas Gerais, em Belo Horizonte. A Conferência debateu questões importantes para a organização da categoria e construiu as propostas dos bancários e bancárias de Minas para a etapa nacional, de onde sairá a minuta para a Campanha Nacional dos Bancários 2026.
Com o tema “Trabalhadores e trabalhadoras unidos construindo o futuro”, o evento reforçou a importância de manter a união da categoria, especialmente durante a campanha salarial.
Já na primeira mesa, a presidenta da Contraf-CUT Juvandia Moreira abriu o debate destacando a importância de entender o cenário político do país e os impactos disso na Campanha Nacional. Ela apontou para temas que estão no centro do debate político, como, por exemplo, o fim da escala 6×1. Teoricamente não impactaria a categoria bancária, mas Juvandia reforça que “reduzir a jornada de trabalho de todos os trabalhadores é fundamental para reivindicarmos a redução da jornada dos bancários para uma escala 4×3”, reivindicação antiga da categoria.
Dentro desse cenário, Juvandia também destacou a necessidade dos bancários ficarem atentos aos candidatos em que pretendem votar, tanto para presidência quanto para o congresso.
Outro ponto comentado por Juvandia foi a reestruturação do sistema financeiro. Para ela este processo foi acelerado pela pandemia, que forçou a população a aprender a lidar com o digital. Isso possibilitou o crescimento das fintechs, que hoje figuram entre as principais instituições financeiras do Brasil. O crescimento das fintechs, que possuem menos funcionários e baixos salários, e a digitalização do sistema financeiro impactam diretamente no trabalho bancário, causando fechamento de agências, deslocamento e fechamento de postos de trabalho.
Na segunda mesa da sexta-feira, o ex-presidente do Sindicato dos Bancários de SP e ex-Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, motivou o debate sobre a Conjuntura internacional, juros baixos e justiça tributária.
Conjuntura Internacional
Vaccari destacou três pontos centrais para entender a conjuntura internacional: as disputas comerciais, o petróleo e as guerras. Os Estados Unidos são a peça central nos três pontos.
Nas disputas comerciais a principal arma estadunidense é a desestabilização econômica de grandes potências como China e Rússia, principalmente com taxas. Neste aspecto, Vaccari reforçou a importância da reciprocidade de taxas para fortalecer a soberania nacional.
Sobre as guerras, Vaccari destacou o posicionamento estratégico do Brasil, especialmente nos conflitos no Oriente Médio. “O Brasil não é um país que caça conflito e se posiciona de forma moderada.”, pontuou.
O petróleo é o ponto que mais atravessa todos os outros. Sobre isso, Vaccari ressaltou a necessidade de valorizar e fortalecer a Petrobras, e pressionar para que a estatal aumente a produção de diesel para que o país não sofra tanto com os conflitos externos.
Quanto aos juros altos, Vaccari afirmou que esse debate deve ser feito por toda sociedade, mas que tem ficado muito restrito aos movimentos sociais.
Conjuntura e eleições 2026
O debate sobre a Importância das Eleições em Minas Gerais contou com a presença da secretária nacional de planejamento e finanças do PT, Gleide Andrade. Ela ressaltou que o cenário político mineiro para essas eleições é muito complicado principalmente pela falta de definição e nomes fortes do campo progressistas.
Gleide pontuou que nas últimas eleições a esquerda perdeu em regiões mineiras em que historicamente sempre ganhava. Para ela, é preciso buscar um candidato que conheça profundamente o estado e não dependa só dos votos da Região Metropolitana.
Outro ponto abordado por Gleide foi sobre as mazelas deixadas pelos dois governos de Romeu Zema. Ela ressaltou que é necessário destrinchar de forma simples para a população os ataques ao Estado promovidos pelo governo Zema.
Por fim, Gleide reforçou a necessidade de fortalecer o campo progressista no Congresso e no Senado, especialmente elegendo mais mulheres.
Representatividade feminina e a organização do movimento sindical bancário
A primeira mesa do sábado teve como convidado o presidente da CUT Minas Jairo Nogueira, e continuou debatendo a Conjuntura Estadual.
Para Jairo, os oito anos do governo Zema trouxeram grandes retrocessos para os trabalhadores mineiros, ao reduzir direitos e sucatear e privatizar estatais.
Outro debate importante reforçado por Jairo foi sobre o fim da escala 6×1. De acordo com ele, esse debate possibilitou que os movimentos sindicais cutistas conseguissem dialogar com setores que geralmente não estão abertos para falar com o sindicalismo.
Jairo também alertou para pautas que requerem atenção da categoria, como é o caso da pejotização irrestrita, que pode afetar diretamente o setor bancário ao facilitar as terceirizações.
Empoderamento feminino na política
A segunda mesa do sábado contou com a presença da deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT-MG) para falar sobre empoderamento das mulheres.
Beatriz abriu sua fala afirmando que “essa mesa não é sobre mulheres. É sobre democracia. Não tem democracia se os espaços de poder não forem ocupados por mulheres”.
Ela pontuou que a misoginia, a subrepresentação e a violência política de gênero no cenário político e nas redes sociais reforça a violência contra a população feminina. Para ela, é necessário criar uma rede de apoio para apoiar mulheres parlamentares e garantir a permanência delas na política.
Ela reforçou, ainda, a necessidade de pautar com mais frequência o debate público porque “quando não pautamos, ficamos apenas reagindo à pauta do inimigo. Quem não pauta, é pautado”, destacou Beatriz.
Organização sindical no Brasil
O último debate da manhã foi promovido em uma mesa redonda sobre a Organização do movimento sindical bancário. A mesa foi composta pelo presidente da Fetrafi NE, Carlos Eduardo, a presidenta do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, Cristiane Zacarias, o presidente da FETEC CN, Rodrigo Brito e Reginaldo Askar da oposição bancária no Maranhão. A mesa foi mediada pelo vice-presidente da Fenae, Clotário Cardoso.
Os dirigentes promoveram uma conversa sobre as estratégias que já são realizadas em outras regiões do país. Cristiane destacou a atenção dada no sindicato em Curitiba para a comunicação e a revisão de condutas dos dirigentes, passando desde a vestimenta até o modo de lidar com o bancário.
No Centro Norte, o desafio, segundo Rodrigo, é adaptar o modo de trabalho em regiões com diferentes realidades dos bancários. No Nordeste, a estratégia é realizar pesquisas constantes para ter dados da avaliação da categoria sobre diversos temas. Já na oposição maranhense, o desafio é combater a alienação e desmistificar a CCT de forma simples para os bancários.
Fonte: SINTRAF JF com informações da FETRAFI-MG.











