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Campanha Nacional no BB: Movimento sindical reivindica abertura de concursos pblicos e valorizao dos funcionrios

Em manifesto entregue ao banco, trabalhadores defendem o papel do BB como banco pblico servio do desenvolvimento, com manuteno das agncias para o atendimento presencial e humanizado populao

A Comisso de Empresa das Funcionrias e dos Funcionrios do Banco do Brasil (CEBB) se reuniu com os representantes do banco, nesta quarta-feira (8), na primeira rodada de negociaes no mbito da Campanha Nacional 2026, para a renovao do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do BB.

A principal pauta do encontro de hoje foi a defesa do emprego. "O BB precisa ter o foco no funcionrio, no cliente e no fortalecimento da sua responsabilidade como banco pblico. O papel do banco pblico no o de ser um banco meramente de mercado, que busca somente o lucro, mas que est presente em todas as regies e cidades do interior, estimula o desenvolvimento, a partir da ampliao do acesso ao crdito que fortalece a produo e reduz as desigualdades", resumiu a coordenadora da CEBB, Fernanda Lopes.

O movimento sindical reforou que existe um movimento de mudanas estruturais que esto descaracterizando a funo pblica do BB. "O cenrio hoje de agncias com poucos funcionrios, de prefixos sendo agregados e agncias transformadas em lojas. Paralelo a esse movimento, ocorre o aumento de correspondentes bancrios contratados pelo prprio banco e que atendem clientes que poderiam ser atendidos por funcionrios do BB", destacou Fernanda Lopes.

Abertura de concursos pblicos
Diante desse quadro, a categoria reforou a reivindicao pela abertura de concursos pblicos, para garantir a qualidade do atendimento presencial e humanizado aos clientes e pela sade mental da categoria.

"Os colegas esto sobrecarregados, nas agncias e unidades administrativas, submetidos ao cumprimento de metas que so cada vez mais elevadas. Os dados do INSS comprovam que os escriturrios e os gerentes de bancos esto entre as funes que mais se afastam por doenas mentais, relacionadas ao trabalho", destacou Maria Aparecida da Silva (Cida), representante da FEEB SP/MS.

Os membros da CEBB destacaram que esto registrando, em todas as bases, agncias em que clientes aguardam at mais de uma hora, por conta da insuficincia de funcionrios para atend-los. E reforaram que a sada a recomposio do corpo de funcionrios via concurso pblico, com a garantia de que a populao de regies menos assistidas continue sendo assistida.

Avanos para os funcionrios de bancos incorporados
Os trabalhadores reforaram a reivindicao para que os colegas de bancos incorporados pelo BB (como Banco Nossa Caixa/BNC, Banco do Estado de Santa Catarina/Besc e Banco do Estado do Piau/BEP) tenham os mesmos direitos previdencirios (Previ) e de sade (Cassi) que os demais funcionrios do banco pblico.

"Entendemos que a integrao complexa, seja pela conciliao de direitos, seja pelas diferenas atuariais, financeiras e custeio dos planos originais em relao Previ e Cassi. Mas a soluo possvel e precisa acontecer com a maior brevidade possvel", reforou Fernanda Lopes.

Segurana bancria
As mudanas estruturais, com prefxos sendo integrados e transformao de agncias em lojas, esto resultado ainda na retirada de mecanismos de segurana que antes eram tradicionais dos bancos: as portas giratrias e vigilantes.

"Defendemos manuteno das portas giratrias e da vigilncia em todos os tipos de unidades, sejam agncias, lojas ou unidades de atendimento. Ainda que em algumas dessas unidades no se trabalhe mais com o numerrio (dinheiro fsico), os funcionrios e funcionrias esto sendo expostos s situaes de violncia", destacou Fernanda Lopes.

"O BB no pode se deter na ideia de que a porta giratria no uma boa experincia para o cliente, mas sim que uma ferramenta que refora a segurana, tanto para os funcionrios quanto para os prprios clientes, pois reduz drasticamente o risco de serem abordados por criminosos", completou a dirigente.

O movimento sindical tambm reforou que a vigilncia ajuda a reduzir casos de violncia de clientes para com os funcionrios.

Escala 4x3
Os representantes dos trabalhadores do Banco do Brasil defenderam a escala 5x2 para todos os funcionrios e que, ainda, que h espao para a implementao da escala 4x3 (quatro dias de trabalho para trs dias de descanso), respeitando a jornada diria de 6h.

"Reforamos a nossa pauta de reduo da jornada para todos os funcionrios. Entendemos que temos uma situao grave, que do aumento de casos de adoecimento da categoria como um todo. E existem vrios estudos de caso, inclusive do prprio banco, que mostram que a reduo da jornada, alm de aumentar a produtividade do trabalhador, traz impactos positivos sade mental", destacou Rodrigo Britto, presidente da Fetec-CUT/CN.

Fernanda Lopes arrematou que as novas tecnolgicas permitem que a escala 4x3 possa ser implementada no Banco do Brasil, sem comprometer o atendimento ao pblico, possibilitando a melhora da qualidade de vida do funcionalismo e dos ganhos de produtividade empresa.

Incorporao das comisses
Os sindicatos tambm reivindicaram a "incorporao das comisses", portanto o direito dos trabalhadores de manterem os valores da comisso, mesmo se o funcionrio perder ou deixar o cargo de confiana.

Os membros da CEBB querem ainda que esse direito seja acompanhado da regra dos 10% a cada ano, ou seja, que uma frao de 10% da comisso seja incorporada remunerao do funcionrio a cada ano, at somar 100%. "Esse, alis, um critrio de estabilidade financeira muito comum em disputas trabalhistas", pontuou Fernanda Lopes.

Acmulo e desvio de funes
O movimento sindical denunciou que, em algumas bases, esto sendo registrados trabalhadores realizando atividades que no so relacionados s suas funes de registro. Entre os exemplos, esto gerentes de servios que acabam acumulando funes administrativas e negociais. E, ainda, de escriturrios que acabam tendo que fechar e abrir caixas, sem o direito de receberem o adicional da funo de caixa.

O banco respondeu que ir apurar os casos levados mesa. "No fim, tudo esbarra na questo de falta de funcionrios, e que traz outros impactos como a dificuldade de ascenso de trabalhadores, que so impedidos de assumirem funes mais elevadas em outras unidades, porque esto em locais que j esto com cargos vagos ou posies de trabalho deficitrias no quadro de funcionrios (claros)", explicou Fernanda Lopes.

"Os claros so um grande problema no s pela questo do atendimento aos clientes, mas tambm pela questo do adoecimento do pessoal", reforou Ewerton Lopes, representa a FETEC-PR na CEBB.

Pessoas com Deficincia (PCDs)
O movimento sindical reivindicou neste ponto que o banco derrube o limite de idade de filhos PCDs que necessitam de suporte.

"Hoje, o ACT possibilita o abono falta aos funcionrios com filhos PCDs de at 14 anos, quando necessitam levar seus filhos para alguma terapia, atendimento mdico ou outro tipo de suporte. Mas a realidade que existem filhos que precisaro de suporte a vida toda, por isso a nossa reivindicao pelo fim do limite de idade", registrou a representa a representante da Fetrafi-RS na CEBB, Priscila Aguirres.

Essa reivindicao inclui o pedido de jornada de trabalho reduzida aos funcionrios que possuem como dependentes pessoas com deficincia, principalmente com deficincia intelectual, conforme art. 98 da Lei 8112/1990.

Reembolso de conselhos profissionais (OAB, CREA, etc.)
A categoria reivindica que o banco devolva o valor integral da anuidade paga por funcionrios ligados s entidades regulamentadoras de profisses, a exemplo da OAB, CREA, CRM e CRP.

Agenda das prximas negociaes:
17/07 Igualdade de oportunidades, endividamento e monitoramento
23/07 Sade e condies de trabalho
31/07 Remunerao e clusulas econmicas

Manifesto em defesa do BB pblico
Antes de apresentarem as reivindicaes, a CEBB iniciou o encontro entregando representao da empresa um manifesto em defesa do Banco do Brasil como banco pblico e necessrio para o desenvolvimento de todas as regies do pas. 

"O Brasil precisa de um Banco do Brasil que seja muito mais do que um banco lucrativo. Precisa de um banco que seja instrumento de poltica econmica nacional, capaz de estimular o desenvolvimento, ampliar o acesso ao crdito, fortalecer a produo, reduzir desigualdades e impulsionar a gerao de emprego e renda", destacam os dirigentes em um dos trechos do manifesto.

A seguir, o manifesto na ntegra:

Em defesa do Banco do Brasil, de suas funcionrias e funcionrios e do desenvolvimento do Brasil
 
O Banco do Brasil no apenas uma instituio financeira. parte da histria do Brasil.

H mais de duzentos anos, o Banco do Brasil acompanha o crescimento do pas, atravessa crises, participa das grandes transformaes nacionais e ajuda a construir oportunidades onde o mercado, sozinho, jamais chegou. Sua existncia se confunde com a prpria construo do Estado brasileiro.

justamente por conhecer essa histria que afirmamos: o Banco do Brasil precisa retomar, com ainda mais fora, o protagonismo de sua funo pblica e social.

O Brasil precisa de um Banco do Brasil que seja muito mais do que um banco lucrativo. Precisa de um banco que seja instrumento da poltica econmica nacional, capaz de estimular o desenvolvimento, ampliar o acesso ao crdito, fortalecer a produo, reduzir desigualdades e impulsionar a gerao de emprego e renda.

Ao longo de sua histria, o Banco do Brasil sempre cumpriu esse papel.

Foi parceiro do agricultor, do comerciante, da indstria, do pequeno empreendedor e dos municpios brasileiros. Foi o banco que levou desenvolvimento para onde nenhum outro quis chegar.

E continua sendo.

Quando se fala em agronegcio, impossvel ignorar a importncia do Banco do Brasil. Se o agro costuma dizer que carrega o PIB nas costas, justo lembrar que, h dcadas, o Banco do Brasil quem carrega o agro no colo, financiando safras, investimentos e garantindo crdito em todas as regies do pas.

Mas a misso do Banco do Brasil vai muito alm disso.

Queremos um banco que continue apoiando o agronegcio, mas que volte a colocar a agricultura familiar no centro de sua atuao. So milhes de pequenos produtores responsveis por grande parte dos alimentos que chegam diariamente mesa dos brasileiros. Apoiar a agricultura familiar significa fortalecer a segurana alimentar, promover desenvolvimento regional e manter vivas milhares de pequenas comunidades espalhadas pelo pas.

Queremos tambm um Banco do Brasil que amplie sua atuao junto aos micro, pequenos e mdios empreendedores, oferecendo crdito acessvel para quem produz, gera empregos e movimenta a economia real.

Queremos um Banco do Brasil capaz de impulsionar novamente a indstria nacional, oferecendo condies de financiamento to competitivas quanto aquelas disponibilizadas ao setor agropecurio. O fortalecimento da indstria significa mais inovao, maior agregao de valor, empregos qualificados e desenvolvimento sustentvel para o pas.

exatamente essa capacidade de utilizar o crdito como instrumento de desenvolvimento que diferencia um banco pblico de uma instituio preocupada exclusivamente com o lucro de curto prazo.

Da mesma forma, queremos um Banco do Brasil presente onde a populao precisa dele.

Um banco que continue chegando s pequenas cidades, aos distritos, s comunidades rurais e s regies mais distantes do pas. Um banco que compreenda que sua capilaridade no representa um custo, mas uma das maiores riquezas construdas ao longo de mais de dois sculos de histria.

Em centenas de municpios brasileiros, a agncia do Banco do Brasil continua sendo muito mais do que um ponto de atendimento. onde aposentados recebem seus benefcios, agricultores contratam crdito, pequenos empresrios investem em seus negcios, servidores recebem seus salrios e famlias inteiras tm acesso ao sistema financeiro.

Nenhuma inovao tecnolgica pode substituir completamente essa presena onde ela continua sendo indispensvel.

Mas existe um patrimnio ainda mais importante do que toda essa estrutura.

So as pessoas.

Nenhum resultado histrico, nenhum lucro bilionrio e nenhuma transformao tecnolgica teriam sido possveis sem o compromisso, a dedicao e a competncia das funcionrias e dos funcionrios do Banco do Brasil.

Se o Banco do Brasil chega aos seus duzentos anos como uma das instituies mais respeitadas do pas, isso no aconteceu por acaso.

Aconteceu porque, durante grande parte de sua histria, o Banco do Brasil tambm foi referncia na forma de tratar seus trabalhadores.

Queremos recuperar esse compromisso.

Queremos um Banco do Brasil que respeite seus funcionrios, que valorize sua experincia, que reconhea seu trabalho e compreenda que cuidar das pessoas no despesa: investimento.

Queremos condies dignas de trabalho.

Queremos a recomposio do quadro de pessoal.

Queremos o fortalecimento da rede de atendimento.

Queremos o combate efetivo ao assdio moral e a todas as formas de violncia no ambiente de trabalho.

Queremos salrios compatveis com a importncia da categoria.

Queremos gesto responsvel da sade fsica e mental das trabalhadoras e trabalhadores.

Queremos uma CASSI fortalecida e polticas permanentes de promoo da sade para as famlias que fazem o Banco do Brasil acontecer todos os dias.

Modernizar o banco necessrio.

Mas modernizar jamais poder significar enfraquecer sua funo pblica, reduzir direitos, fechar agncias indiscriminadamente, sobrecarregar equipes ou transformar seus trabalhadores em meros indicadores de desempenho.

O Banco do Brasil que queremos moderno, eficiente e inovador.

Mas , acima de tudo, pblico.

um banco comprometido com o desenvolvimento nacional, com o fortalecimento da economia, com a incluso financeira e com a reduo das desigualdades.

o Banco do Brasil que o povo brasileiro aprendeu a respeitar ao longo de mais de duzentos anos.

Nesta mesa de negociao reafirmamos uma convico simples.

Defender os funcionrios defender o Banco do Brasil.

Defender o papel pblico do Banco do Brasil defender o desenvolvimento do Brasil.

Porque o Banco do Brasil que queremos para os prximos duzentos anos o mesmo que fez sua histria: um banco pblico, presente, forte, humano, comprometido com o pas e que trate suas trabalhadoras e trabalhadores com o respeito, a dignidade e o reconhecimento que sempre mereceram.
 

Comisso de Empresa dos Funcionrios do Banco do Brasil (CEBB)
Confederao Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT)