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Bradesco alvo de audincia pblica em BH por fechamento de agncias e reduo do atendimento presencial

Contraf-CUT, Sindicato e Fetrafi-MG denunciam desmonte da rede fsica, cobram mudanas no sistema financeiro e alertam para prejuzos populao e aos bancrios

O fechamento de agncias, a retirada de caixas eletrnicos e a reduo de postos de trabalho no Bradesco foram denunciados durante audincia pblica realizada nesta tera-feira (28), na Cmara Municipal de Belo Horizonte. Solicitado pelo Sindicato dos Bancrios de Belo Horizonte e Regio, o debate foi requerido pelo vereador Pedro Patrus (PT) e conduzido pela vereadora Luiza Dulci (PT), reunindo representantes do movimento sindical e do Ministrio do Trabalho e Emprego (MTE). O banco foi convidado, mas no enviou representantes.

Participaram da mesa o vice-presidente da Contraf-CUT, Vinicius Assumpo; o presidente do Sindicato dos Bancrios de Belo Horizonte, Ramon Peres; o coordenador da Comisso de Organizao dos Empregados (COE) do Bradesco em Belo Horizonte, Giovanni Alexandrino; a secretria-geral do Sindicato, Mnica Brull; o presidente da Fetrafi-MG, Carlindo Dias, o Abelha; o presidente da CUT-MG, Jairo Nogueira Filho; e o superintendente regional do Ministrio do Trabalho e Emprego em Minas Gerais, Carlos Calazans.

Durante a audincia, os dirigentes denunciaram o impacto do enxugamento da rede de atendimento sobre trabalhadores e clientes. Segundo dados apresentados, o Bradesco reduziu drasticamente sua presena em Belo Horizonte na ltima dcada. "O Bradesco tinha, em 2015, 83 agncias em Belo Horizonte. Hoje restam apenas 30, e somente 14 oferecem atendimento completo, com caixas eletrnicos e estrutura para atender a populao. um desmonte que prejudica bancrios, clientes e toda a sociedade", afirmou o vice-presidente da Contraf-CUT, Vinicius Assumpo.

Ele ressaltou que o problema se estende por todo o estado. "Hoje, 477 municpios mineiros no tm nenhuma agncia bancria e outros 174 contam apenas com bancos pblicos. Quem mais sofre so os idosos, aposentados e pessoas que dependem do atendimento presencial, muitos deles sem acesso internet ou sem condies de utilizar os canais digitais."

Para o presidente do Sindicato dos Bancrios de Belo Horizonte e Regio, Ramon Peres, a poltica do banco incompatvel com os lucros obtidos pelo setor financeiro. "O sistema financeiro brasileiro registra lucros extraordinrios s custas da populao. Enquanto cobra juros elevados e tarifas, o Bradesco fecha agncias, reduz o atendimento e impe metas abusivas que adoecem os trabalhadores. um completo desrespeito com a sociedade e com quem faz o banco funcionar todos os dias", criticou.

Na avaliao do presidente da Fetrafi-MG, Carlindo Dias (Abelha), o fechamento das unidades tambm representa um processo de excluso bancria. "No podemos aceitar que milhares de pessoas fiquem sem acesso aos servios bancrios presenciais enquanto os bancos acumulam lucros bilionrios. Estamos falando de um servio essencial, que precisa atender toda a populao com qualidade e respeito."

Lucros bilionrios e falta de contrapartida

Ao longo do debate, Vinicius Assumpo tambm questionou a falta de retorno social proporcionada pelos elevados lucros do sistema financeiro. "Somente em 2025, o Bradesco lucrou quase R$ 25 bilhes. No primeiro trimestre deste ano, j alcanou R$ 6,8 bilhes. Nos ltimos cinco anos, acumulou mais de R$ 110 bilhes em lucro. A pergunta : qual a contrapartida para a sociedade? O banco fecha agncias, demite trabalhadores e reduz o atendimento justamente quando continua obtendo resultados extraordinrios."

O dirigente tambm destacou que a digitalizao no elimina a necessidade das agncias fsicas. "Em 2025 foram realizadas 7,2 bilhes de transaes presenciais nas agncias bancrias. Isso demonstra que o atendimento fsico continua sendo indispensvel para milhes de brasileiros."

Outro ponto abordado foi o elevado spread bancrio brasileiro. "Enquanto pases como Alemanha, Canad e Estados Unidos trabalham com spreads entre 2% e 3%, no Brasil a mdia chega a cerca de 33%. Temos um sistema financeiro extremamente lucrativo, mas que no oferece crdito acessvel nem contribui na mesma proporo para o desenvolvimento econmico e para a gerao de empregos", observou Vinicius.

Segundo ele, a Contraf-CUT pretende ampliar esse debate nacionalmente. "Estamos ocupando todos os espaos possveis para discutir com a sociedade qual sistema financeiro queremos para o Brasil. Precisamos denunciar o fechamento de agncias, as demisses e cobrar um modelo que cumpra seu papel social."

Ao final da audincia, foram aprovados encaminhamentos como apoio a projeto de lei que obriga a instalao de portas giratrias nas agncias bancrias de Belo Horizonte, moo de repdio contra o fechamento de agncias e demisses, proposta para garantir atendimento bancrio em bairros populosos da capital, pedido de fiscalizao ao Ministrio do Trabalho e Emprego e solicitao de novas audincias pblicas para debater a situao do sistema financeiro e seus impactos sobre trabalhadores e usurios dos servios bancrios.

Fonte: https://contrafcut.com.br/noticias/bradesco-e-alvo-de-audiencia-publica-em-bh-por-fechamento-de-agencias-e-reducao-do-atendimento-presencial/