Um debate necessrio
A participao intensa das mulheres nas lutas que marcam a histria do nosso pas invisibilizada diante da ideia de superioridade masculina
Gênero e Movimento Sindical: um debate necessário
A participação intensa das mulheres nos episódios de luta que marcam a história do nosso país é invisibilizada, em muitos momentos, diante da ideia de superioridade masculina. Encontramos com muita facilidade referências aos homens como ícones históricos, as mulheres quando aparecem são retratadas como coadjuvantes, mesmo quando tiveram papeis essenciais.
A subalternização das mulheres nos movimentos de organização política dos trabalhadores também em sido naturalizada e justificada por argumentos pautados no senso comum, como a pouca presença delas nas atividades econômicas mais estruturadas e organizadas, a instabilidade da carreira profissional devido à maternidade e o desinteresse pelas atividades sindicais.
O que se constata é que os espaços profissionais disponíveis para as mulheres são os mais precarizados, mediados pela divisão sexual do trabalho e pela dupla jornada desempenhada por elas. Os empregos ocupados pelas trabalhadoras também são caracterizados pela instabilidade, informalidade e o turno parcial. Mesmo quando o emprego se dá no setor formal da economia, a falta de reconhecimento e perspectiva de ascensão profissional, bem como a baixa remuneração colaboram para reduzir a participação das mulheres nos movimentos de organização política dos trabalhadores.
A grande presença feminina no mercado de trabalho abre espaço para o questionamento ao movimento sindical sobre a igualdade de gênero. Os mesmos fatores que limitam a ascensão profissional das trabalhadoras são responsáveis pelo distanciamento delas nos cargos de direção sindical?
A luta das mulheres sempre esteve presente na luta dos trabalhadores, assim como o desafio de conciliar a esfera pública e a privada. As organizações sindicais desenvolvem seu discurso sobre o processo de trabalho e os trabalhadores, vinculando-o ao conceito de igualdade e emancipação. Esse debate precisa considerar a heterogeneidade da classe trabalhadora, superando a concepção assexuada de classe.
por Ana Paula Souza
Assistente Social do Sintraf JF