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Processo de trabalho e adoecimento psquico

A organizao do trabalho sofreu transformaes contnuas que refletiram diretamente na organizao do trabalho bancrio

A organização do trabalho, nos últimos anos, em consequência de mudanças sociais, econômicas e tecnológicas, sofreu transformações contínuas que refletiram diretamente na organização do trabalho bancário, de modo que as empresas passaram a utilizar estratégias que implicaram no desmantelamento de diversos direitos e adoecimento dos trabalhadores.


As transformações ocorridas aproximaram a categoria bancária ao perfil de vendedor de produtos, uma vez que enfatizam o individualismo e a competitividade entre os trabalhadores – elementos que influenciam a prática do assédio moral.  A estrutura organizacional dos bancos, apesar de não deixar explícito seu apoio a este tipo de conduta, possui formas de gerenciamento que abrem espaço para sua ocorrência as quais se materializam através de metas abusivas impostas pelos próprios bancos, ou a constante pressão da diminuição de postos de trabalho.


Mediante esta nova conjuntura, podemos destacar o aumento de afastamentos relacionados às doenças mentais, oriundo de processos de trabalhos permeados por excesso de tarefas, ocasionando ambientes hostis e degradantes à saúde. Segundo a auditora-Fiscal do trabalho, Luciana Veloso, em entrevista à Revista Fórum publicada em maio de 2015, mesmo a despeito de todo o preconceito envolto ao tema sobre saúde mental o número de afastamentos é crescente em todo país. Outro elemento apontado por Veloso se refere ao trabalho enquanto fonte de saúde, assim como de doença, pertença ou exclusão.


Apesar da percepção da sociedade sobre a grande ocorrência dos afastamentos por doenças mentais, podemos destacar a existência do discurso sobre a banalização dos sofrimentos, riscos e até mesmo a culpabilização dos trabalhadores. É importante compreender que o cerne da questão está relacionado aos elementos que condicionam o processo de trabalho nas organizações institucionais, caminhando em direção a desconstrução da culpabilização dos trabalhadores pela condição de adoecimento.  Desta forma, é importante fomentar a discussão nos espaços de trabalho sobre a relação do nexo causal entre elementos envoltos às circunstancias das atividades trabalhistas e os rebatimentos nocivos à saúde psíquica, visto que a reivindicação por medidas protetivas e melhores condições de trabalho precisam ser contínuas.

 

 

Dâmaris Almeida

Estagiária de Serviço Social