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Trabalhadores do BB debateram importância do banco para o desenvolvimento do país, defesa da Previ e Cassi

Eixos de luta pela defesa do banco público também foram aprovados

O 35° Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil teve como tema: “Futuro justo, sustentável, inclusivo e democrático”. Os trabalhadores do BB na base do SINTRAF JF foram representados pelos dirigentes do sindicato e funcionários do BB, Zuleika Lima e Jeferson Anselmo. Abrindo os trabalhos na sexta-feira, 22, o sociólogo Jessé Souza fez apresentou uma análise de conjuntura. Jessé avaliou a relação entre o racismo estrutural e a relação histórica entre o discurso anti-corrupção e as investidas fascistas contra a democracia.

Ainda na primeira mesa a técnica do Dieese, Rosângela Vieira analisou o balanço financeiro do Banco do Brasil no primeiro semestre de 2025, em que houve uma queda expressiva nos lucros do banco. Esse movimento, explicou Rosângela, resulta da combinação de três fatores principais: os juros altos, a entrada em vigor de uma nova norma contábil que aumentou a exigência de provisões e a inadimplência recorde no agronegócio, setor que concentra uma parte relevante das operações do banco.

Mesmo diante desse quadro adverso, Rosângela frisou que o Banco do Brasil continua desempenhando funções essenciais para o país, como no apoio à agricultura familiar, ao crédito acessível para trabalhadores e na reabertura de agências após anos de fechamento.

Já a  mesa sobre a Previ iniciou com um ato simbólico de apoio à entidade. Bancárias e bancários presentes ergueram placas em defesa da governança da Previ, reafirmando o compromisso histórico da categoria com a preservação de seus fundos de pensão.

A última mesa se concentrou na Cassi, a caixa de assistência da entidade. O diretor de Planos de Saúde e Relacionamentos com Clientes da Cassi, Alberto Alves Junior, falou das estratégias para manter a sustentabilidade do plano. “Procuramos ter a saúde baseada em valor, com foco no participante. Temos um projeto ligado ao um novo modelo de regulamentação que estamos apresentando, que assessora o participante, que administra as respostas negativas para ser rápido”.

O 35º CNFBB foi encerrado com a aprovação de pontos de lutas, relacionados à defesa do Banco do Brasil como banco público, voltado ao desenvolvimento do país, e à sustentabilidade e perenidade da Cassi e da Previ.

Eixos aprovados:

1 - Defesa da função pública do Banco do Brasil, essencialmente quanto ao desenvolvimento econômico e social, da agroecologia e da agricultura familiar;
2 - Expansão do PRONAF, volta do DRS (Desenvolvimento Regional Sustentável) e maior apoio à agricultura familiar;
3 - Abertura de agências em municípios desbancarizados;
4 - Novo concurso (cumprindo efetivamente a cota de PCDs);
5 - Fim das terceirizações;
6 - Distribuição de dividendos em proporção que garanta investimentos no setor produtivo, assegurando o desenvolvimento econômico e social do Brasil;
7 - Revisão dos processos de financiamento ao agro, aprofundando o cuidado para garantir a produção sustentável tanto com viés ambiental, como o retorno para a garantia de alimentos para o Brasil;
8 - Ampliação do atendimento à população nas agências com maior movimento em regiões carentes e/ou periféricas;
9 - Ampliação de postos de trabalho, garantindo o atendimento de caixa e preenchimento de claros;
10 - Que o banco se responsabilize para que efetivamente não aconteça desvios éticos para cumprimento de metas;
11 - Fim do assédio moral e metas abusivas;
12 - Previdência: defesa da governança da PREVI e do modelo de gestão paritária pelos funcionários do banco; o papel dos órgãos controladores/reguladores. Planos e aspectos dos perfis de investimentos;
13 - Os funcionários do Banco do Brasil devem seguir na defesa intransigente da Previ, cujo modelo de governança prevê a gestão compartilhada entre a empresa patrocinadora, por sua indicação com a representação dos funcionários, por meio democrático de eleição participativa, o que garante a permanência da robustez da sua governança impedindo interferência externas, seja do mercado ou de governos, com respeito inequívoco aos órgãos controladores e reguladores competentes;
14 - A Previ deve ser para todos, com tratamento isonômico aos egressos de bancos incorporados, com direito à adesão ao plano PREVI Futuro e seus benefícios; 
15 - Saúde: modelo de custeio e sustentabilidade do plano de associados da Cassi; Adoecimento e saúde mental;
16 - Os funcionários do Banco do Brasil devem seguir na defesa intransigente da Cassi, objetivando o fortalecimento da caixa de assistência, em modelo de autogestão e patrocínio do empregador;
17 - A forma de custeio não pode se basear tão somente na folha de pagamento, sendo necessária a busca de outras fontes de receitas oriundas do patrocinador. Com as premissas de aumento da contribuição patronal para 70% (setenta por cento), sem aumento na contribuição do associado;
18 - A Cassi é para todos e deve ser garantida a isonomia de tratamento para os egressos dos bancos incorporados e funcionários que ingressaram no Banco após a reforma estatutária de 2018;
19 - É de fundamental importância que o banco informe precisamente os dados do EPS (exame periódico de saúde) e do adoecimento profissional;
20 - Necessário incluir a cirurgia de afirmação de gênero/redesignação sexual no rol de procedimentos da Cassi, custeadas pelo banco, com apoio das instituições no acolhimento de pessoas trans;
21 - Fortalecer e ampliar as CliniCassi e a rede credenciada;
22 - O banco deve, ainda, cumprir de imediato as diretrizes da NR1;
23 - Campanhas: Em Defesa do Banco do Brasil; Menos Metas Mais Saúde; Contra o Assédio Moral; Dias de Luta em todas as datas de negociação sobre a Cassi.

Também foram aprovadas moções sobre a defesa do BB e de sua função pública, sustentável e inclusiva; repúdio aos ataques de Trump contra a soberania nacional; transparência na destinação de verbas parlamentares; contra o genocídio praticado por Israel contra os palestinos; em defesa do deputado Renato Freitas; e contra as ameaças de grupos de extrema-direita a Jones Manoel.

Fonte: Contraf-CUT e Fetrafi-MG.