Sindicato do Bancários Zona da Mata e Sul de Minas - SINTRAF JF
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Opinião e Artigos

A População Negra no Sistema Capitalista

Em novembro Sindicato intensifica debate de pautas inerentes ao cotidiano da classe trabalhadora, como a questão racial. De acordo com dados do II Censo da Diversidade, os bancos continuam com suas políticas discriminatórias, tanto na contratação, como na ascensão profissional e na remuneração, onde os negros ganham 87% dos salários dos brancos.
 
Por Robson Marques – Secretário Geral do SINTRAF JF

"Na semana da Consciência Negra o SINTRAF JF em parceria com a Pró-reitoria de Extensão da Universidade Federal de Juiz de Fora, mais especificamente com o Núcleo de Assessoria a Sociedade Civil Organizada – NASCO/UFJF propõe um debate com o tema ‘A população negra no Sistema Capitalista’. 

A diretoria do Sindicato entende que debater os desafios e dilemas vivenciados pela a Classe Trabalhadora faz parte da construção coletiva da consciência de classe. Precisamos ultrapassar e nos livrar das amarras que nos aprisionam. Dessa forma, além de atuar firmemente na luta em prol da categoria bancária, elencando nossas pautas reivindicatórias, é papel de um sindicato classista aprofundar os debates e encontrar formas de resistência. 

No Brasil, segundo pesquisa realizada pelo IBGE mais de 54% da população se auto declara negra, mas no sistema financeiro conforme pesquisa realizada pela Contraf-CUT os negros ocupam somente 3% da categoria bancária, ou seja, em um universo de 500 mil trabalhadores bancários, apenas 17 mil são negros. Isto demonstra o quanto os bancos estão impregnados pelo racismo estrutural. 

A população negra nas agências e departamentos bancários ocupam funções terceirizadas, como prestadores de serviços, seja como segurança e/ou serviços gerais. Não que estas profissões sejam menores que as demais, todo o trabalhador é digno, mas o que estamos questionando é porque a população negra tem espaço no sistema financeiro somente em serviços de menor responsabilidade e consequentemente menor remuneração. 

O racismo estrutural infelizmente tem sido encarado como algo natural principalmente nas instituições financeiras. As mulheres ainda recebem em média 25% menos que o homem e quando se trata da mulher negra esta diferença é ainda mais acentuada, demonstrando que embora trabalhem para um setor (financeiro), que em todos os cenários econômicos consegue auferir lucro, ainda sim a ganância, a discriminação e o sectarismo são bandeiras destas instituições. 

Desta forma, debater os problemas da classe trabalhadora é algo de extrema importância para um sindicato que tem como norte uma atuação classista, ou seja, nosso papel transcende os das lutas por reivindicações econômicas, ele precisa ser ainda mais afinado com a realidade vivida pela classe trabalhadora. Até mesmo porque a riqueza da classe dominante é proporcional ao aumento da miséria, ou seja, quanto maior for a miséria da classe trabalhadora maior será a concentração da riqueza dos patrões.

Assim realizar rodas de conversas, debates e discussões sobre os problemas dos trabalhadores sejam eles empregados formais, informais e/ou desempregados é algo de extrema importância para encontrarmos formas de resistência frente a sanha dos bancos pela alta lucratividade.”