Sindicato do Bancários Zona da Mata e Sul de Minas - SINTRAF JF
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Opinião e Artigos

Sindicato dos Bancários: marcando a história e a luta da classe trabalhadora

Por Robson Marques - Diretor de Formação Sindical e Políticas Sociais do SINTRAF JF

Neste boletim especial temos por intenção demonstrar a importância da organização da categoria bancária. Ao pensar que na década de 1920 éramos considerados como um ramo do comércio (se ainda não o somos) e trabalhávamos aos sábados, proposta esta que vem sendo debatida por um deputado e já implementada pelo Banco Santander sem qualquer tipo de negociação, mesmo que seja a título de experiência, esta atitude é considerada por nós como arbitrária, oportunista e fraudulenta, pois não está prevista em nossa convenção coletiva. Leva-nos à conclusão que precisaremos unir forças em defesa da classe trabalhadora e da nossa categoria bancária. 

Se pensarmos com a matriz do sistema capitalista de que tudo que temos é conquistado através do mérito, poderemos então nos livrar do pensamento de que a classe dominante nos deu algo. Na linguagem empresarial a meritocracia se traduz como esforço individual para se alcançar um determinado objetivo, em nossa linguagem, a da classe trabalhadora, não existe meritocracia, mas sim luta coletiva, basta sabermos que foi através de uma greve que deixamos de trabalhar aos sábados e foi também com manifestações, passeatas e greves que conquistamos o reconhecimento da profissão bancária. 

Da mesma forma isto também se deu para a redução da nossa jornada de trabalho que era de 8 (oito) horas e que após uma greve bastante participativa de 3 dias reduzimos a jornada para 6 horas de trabalho diário. 

Desta forma é importante termos a noção que tudo, exatamente TUDO que os bancos hoje colocam como atrativo para conquistar novos trabalhadores NÃO foi nos dado de presente, foi através da nossa mobilização, da nossa luta, embora não goste deste termo, mas foi através da meritocracia coletiva, ou seja, luta coletiva. Muitos trabalhadores lutaram para termos os direitos que hoje desfrutamos e temos o compromisso para deixar aos futuros trabalhadores mais conquistas.

Assim, acreditar que os banqueiros estão preocupados com os bancários ou com a classe trabalhadora é a mais pura inocência de quem não conhece o seu verdadeiro espaço neste jogo de cartas. 

Para os banqueiros somos meros peões no Modo de Produção Capitalista e por isso precisamos estar em constante luta contra os retrocessos deste sistema. 

Precisamos mais do que nunca levantar nossas bandeiras e partir para o enfrentamento contra os abusos dos bancos. A terceirização das atividades fins já está na nossa realidade, a reforma da CLT já se concretizou, e agora querem nos impor a reforma da Previdência e fazer com que trabalhemos até os 65 anos. Agora pergunto a você, será que um banco vai nos querer trabalhando até esta idade em suas “lojas”, será que teremos saúde para isto?

A resposta nós sabemos. Cerca de 70% dos trabalhadores de bancos públicos e privados que saem de seu trabalho para tratamento de saúde tem como origem o adoecimento psíquico/mental, segundo o Dieese. O trabalho bancário adoece, pois as metas impostas a nós chegam a serem desumanas e nunca é o bastante. 

A reforma da previdência que tanto defende este governo, prever que o trabalhador ao se afastar para tratamento de saúde, sendo acidente de trabalho ou não, não seja pago qualquer tipo de remuneração durante este período que permanecer doente. O mesmo é proposto quando da licença maternidade, a mãe trabalhadora ao se afastar para cuidar de sua criança recém-nascida, não terá remuneração.

Como o trabalhador irá sobreviver e manterá a sua família sem recursos? Bancários, precisamos reagir de alguma forma. Não podemos mais aceitar o avanço da sanha dos banqueiros frente aos nossos direitos. 

Para isto é importante conhecermos a história da nossa categoria com o objetivo de sabermos que SÓ a LUTA nos GARANTE, só a união e o enfrentamento é que vai parar a perda de direitos.  Motivo pelo o qual construímos este material onde apresentamos sucintamente as conquistas e as lutas travadas para que elas tenham se efetivado.

Sigamos em frente sem temer!