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Bancários denunciam caos no Santander

Funcionários denunciam série de problemas na integração tecnológica entre Real e Santander. Banco promete resposta para hoje

Paulo Pepe - Seeb São Paulo De norte a sul do Brasil, a realidade é uma só: a integração tecnológica do Real e do Santander transformou a vida de bancários e clientes num verdadeiro caos. A situação foi relatada por representantes da Contraf-CUT, federações e sindicatos de todo o país, durante negociação nesta terça-feira, dia 29, com o Santander, em São Paulo.

No inicio da reunião específica sobre condições de trabalho nas agências, o superintendente de atendimento operacional no Brasil, Miguel Lopez, fez uma apresentação do banco relativa a treinamentos em virtude da integração tecnológica.

Os dirigentes sindicais afirmaram que as medidas não foram suficientes e descreveram as queixas dos trabalhadores. "Os funcionários, das agências e do callcenter, não foram treinados adequadamente e nem têm o suporte técnico necessário para atender a demanda. Os clientes reclamam e acabam indo para cima dos bancários, que vivem um verdadeiro inferno no trabalho", declara o coordenador da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, Marcelo Sá.

"Os trabalhadores estão denunciando que a forma como feita a migração ocasionou o problema. Eles defendem que a mudança deveria ser gradual, com todos recebendo treinamento adequado", ressalta.

"Hoje a situação está tão delicada que há bancários do Santander sendo hostis com os do Real e vice-versa, o que é um grande equívoco, pois o momento é de união e solidariedade para juntarmos forças e cobrar solução do verdadeiro responsável por esses problemas: o Santander", afirma a diretora executiva do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Rita Berlofa.


Reivindicações

Para minimizar o caos e criar condições para que os funcionários possam trabalhar mais dignamente, prestando um melhor serviço aos clientes, os dirigentes sindicais apresentaram reivindicações, que também constam em carta enviada à direção do banco.

A primeira é que não haja metas para venda de produtos e que a única meta do banco seja a de resolver os problemas dos clientes afetados pela integração tecnológica. Além disso, que seja paga a todos a mesma remuneração variável do mês anterior à fusão tecnológica até que os problemas sejam resolvidos, assim como o pagamento das horas extras em dinheiro, o devido treinamento para operação do novo sistema, mais monitores nas antigas agências do Real e a contratação de mais empregados.

O Santander afirmou que dará uma resposta às reivindicações nesta sexta-feira, dia 1º de abril.

"No dia 5 de abril já está convocada uma reunião ampliada da Comissão de Organização dos Empregados para avaliarmos a resposta do banco e definirmos os próximos rumos do movimento por melhores condições de trabalho nas agências e no callcenter. Estamos propondo mudanças para melhorar a situação, mas o Santander tem de ter a sensibilidade para adotá-las. Nesse momento a empresa tem de suspender as metas e resolver os problemas da integração tecnológica", acrescenta Rita.

É imprescindível que os bancários continuem denunciando os problemas de seus locais de trabalho. "Apenas com esse envolvimento dos trabalhadores das agências e do callcenter poderemos cobrar mudanças eficazes por parte do banco", finaliza Marcelo Sá.


Denúncia de uma gerente

Mensagem lida durante a reunião de uma gerente que postou o relato à 00h52 do dia 29 ao Sindicato dos Bancários de São Paulo e que descreve com fidelidade o drama vivido pelos trabalhadores do Santander:

"Não aguentamos mais a cobrança e a pressão que estamos sofrendo !!
O Santander fez questão de ministrar diversos cursos referente a integração, meses antes da mesma acontecer. Pensavam que, assim, estariam fazendo sua parte para poder cobrar resultados. Estavam errados. Os cursos foram 99% teóricos, não houve aproveitamento prático, nos forçaram a trabalhar de domingo (4 vezes) para efetuar testes no sistema (o que tbem não nos ajudou em nada)e, no dia da migração, ouvimos chacotas dos diretores (que visitaram as agências migradas).

Chacotas como "nossa, esse povo do Real é lento", ou "como pode o Banco gastar milhões com treinamento e esse pessoal do Real não ter aproveitado absolutamente nada!!" Tenho algo muito importante a dizer para a presidência: Nosso problema Srs. não é aprender o sistema! Nosso problema é não ter o suporte necessário para resolver a ENORME demanda de problemas nas contas dos clientes, principalmente Business, que, até a presente data (29/03/11) não pararam de acontecer.

Nosso problema é estar frente a frente com o cliente dentro da agência, receber um questionamento a respeito de sua conta, não ter a resposta acessível dentro do ponto de venda e, conforme instruções do próprio Banco, entrar em contato com o 3012-3456, ficando em média 45 minutos na espera, ainda frente a frente com o cliente, que espera pacientemente por uma resposta.

E depois desse enorme tempo de espera, ter que informar ao cliente que, novamente, ele terá que ir embora sem a resposta que veio buscar. Passei 3 semanas tentando resolver um problema de uma conta garantida Business que, no dia seguinte à migração, foi CANCELADA pelo sistema, mesmo com seu vencimento final em abril. Empresa importante da agência, com folha de pgto., capitalização, CRG 1, blá, blá, blá. Cliente migrou seu movimento de cobrança para o Itaú nesse meio tempo, pois não pode usar sua conta garantida, e agora esta cômodo para empresa, já que se acostumou com o sistema do concorrente, esta difícil traze-lo de volta. Ora Srs., vamos pensar.

Vocês cobram tanta meta de folha de pagamento às regionais que, por suas vez, nos bombardeiam com massantes cobranças, pressões e assédios e não conseguem resolver esses probleminhas de merd... Me desculpe, mas, do Banco que vim (Real com muito orgulho), tinhamos mais dinâmismo, mais liberdade, mais alçadas, mais crédito, mais poder de barganha por taxas!! Hoje, sinto que não incomodo a concorrência, já que todo crédito que era aprovado para as empresas no Real, são negados no Santander!!

Como vamos cumprir a meta enorme que vocês nos assediam, se não conseguem lidar com a ampliação de crédito no mercado. Os clientes estão indo embora não só pela falta de atendimento sistêmico e problemas em suas contas, mas também por falta de atendimento em crédito e soluções financeiras. Banco parceiro é aquele que sabe entender seu cliente.

Para o Banco conseguir atingir esse resultado, é necessário que confie no profissional que lida com o cliente na ponta, O GERENTE e a equipe das agências. O comentário geral entre os colegas é que nos sentimos o tempo todo vigiados, como se fossemos a qualquer momento dar um golpe no Banco. A situação está INSUPORTÁVEL !!!

Ou o Banco e seus dirigentes tomam a consciência de que estamos no Brasil e não na Europa, ou continuaremos a perder enorme parte da fatia de mercado que nos compete !!! Esta misera funcionária que aqui escreve não esta pedindo nada de mais. Esta pedindo que a deixem fazer o serviço que ela mais gosta de fazer: Prospectar cliente, fazer novos negócios, fomentar os existentes, abrir novas frentes, conquistar novos clientes e empresas, etc...

Peço mais dinamismo, menos planilhas, menos cobranças de resultados diários, menos reuniões nas Regionais e nas agências, menos MONITORAMENTO com nossos resultados diários. Estamos no cargo que ocupamos porque merecemos. Então, deixe-nos trabalhar !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Arrumem a bagunça que fizeram com o sistema, com os clientes e com a cabeça dos funcionários e parem de engessar nossas mãos e nossos pés."


Problemas na Zona da Mata e Sul de Minas

O Sintraf JF também vem recebendo várias reclamações a respeito do caos na integração entre Real e Santander. No próximo Boletim dos Bancários, iremos detalhar como os funcionários e clientes dos bancos na Zona da Mata e Sul de Minas estão sendo afetados pelo problema.

Fonte: Contraf-CUT com Seeb São Paulo