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Ao falar do índice de desemprego, Bolsonaro ataca IBGE

Presidente reclama do cálculo da taxa de desemprego no país e dá sugestão que contempla apenas parte do mercado de trabalho

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) criticou, nesta última terça-feira, a metodologia de cálculo de desemprego adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O fato decorreu devido a publicação feita no dia 29 de março, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua Mensal e mostrou que, no último trimestre móvel, foi registrado um crescimento na taxa de desemprego do Brasil.

Em entrevista a uma emissora de TV, o mandatário declarou: “Com todo respeito ao IBGE, essa metodologia, em que pese ser aplicada em outros países, não é a mais correta”

Na sequência, Bolsonaro explica por que o cálculo do desemprego no país não é, segundo ele, feito da maneira adequada. Leva-se em conta quem está procurando emprego. Quem não procura emprego, não está desempregado. (…) Então, quando há uma pequena melhora, essas pessoas que não estavam procurando emprego, procuram, e, quando procuram e não acham, aumenta a taxa de desemprego. É uma coisa que não mede a realidade. Parecem índices que são feitos para enganar a população.

De forma enviesada, o presidente parece fazer referência a um fenômeno comum no mercado de trabalho, de entrada e saída de pessoas, que pode variar conforme o período e a atividade econômica. Muitas vezes, a pessoa desiste de procurar emprego por diversos motivos, o chamado desalento – que envolve falta de condições emocionais ou financeiras, como falta de dinheiro para a condução. Na última pesquisa do IBGE, o desalento bateu recorde, atingindo 4,9 milhões de brasileiros.

Vale ressaltar que pelo último índice da Pnad Contínua, relativo ao trimestre encerrado em fevereiro, o país estava com 92,127 milhões de ocupados e 13,098 milhões de desempregados, somando mais de 105,2 milhões de pessoas na força de trabalho. Em relação ao trimestre finalizado em dezembro, 170 mil pessoas deixaram a PEA e 1,062 milhão de vagas foram fechadas, resultando em 892 mil desempregados a mais. A taxa subiu de 11,6% para 12,4%.

A falta de informação não para por aí, pois para Bolsonaro família é tido como não-empregado. “Quem recebe, por exemplo, o auxílio-reclusão, também é tido como empregado”

Cometeu outro gafe. Pois, pela metodologia do IBGE, pessoas que recebem Bolsa Família ou auxílio-reclusão não são consideradas ocupadas nem desocupadas. Entram na categoria de indivíduos que têm uma fonte de renda. Aos olhos do instituto, o recebimento – ou não – desses benefícios é insuficiente para classificar um cidadão como empregado, desempregado, desocupado ou desalentado.

Em nota, o IBGE explicou que os beneficiários do Bolsa Família são analisados em um estudo anual específico que considera todas as fontes de renda possíveis no país. Segundo o órgão, as pessoas que moram em domicílios que recebem o Bolsa Família podem estar em diferentes condições em relação ao mercado de trabalho, e isso não é determinado pelo fato de elas receberem ou não o Bolsa Família.

O presidente aimda fez uma sugestão simplificada de metodologia: conferir os dados divulgados pela Secretaria do Trabalho, quantos empregos geramos a mais ou a menos no mês, uma referência ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado por uma secretaria do Ministério da Economia, depois da extinção da pasta do Trabalho.Além de não haver ‘geração a menos’; de empregos, a proposta de Bolsonaro contempla apenas uma parte do mercado de trabalho, a de empregos com carteira assinada – o Caged é um registro administrativo de contratações e demissões formais. Desconsidera todas as outras modalidades de trabalho – que, por sinal, são maioria no caso brasileiro.

Fonte: Contraf-CUT