Sindicato do Bancários Zona da Mata e Sul de Minas - SINTRAF JF
Opinião e Artigos

Vencedor

O diretor Robson Marques analisa o cenário político pós eleições e suas implicações para a classe trabalhadora

Uma questão a ser debatida nestes dias atuais é, certamente, quem é o vencedor. Após este processo eleitoral, findado no ultimo dia 30 de outubro nas cidades que houveram segundo turno, observamos uma expressiva ausência nas urnas. 

Em vários locais o numero de ausências, votos brancos e nulos ultrapassaram os votos dos eleitos. 
Nesta ciranda eleitoral quem sai vencedor não é a democracia, não são os movimentos sociais, os sindicatos, os trabalhadores informais, os trabalhadores desempregados, mas sim a classe burguesa. Nunca antes na história do Brasil a burguesia colocou sua cara a tapa. 

Mas agora a “coisa mudou de figura”! Foram muitos os milionários que disputaram cadeiras nas prefeituras do nosso país; antes tinham os seus representantes que seguiam sua cartilha, diferente deste ano. Eles foram para as ruas com discursos “éticos-morais” típicos do sistema capitalista e ganharam corações e mentes. 

Ouso falar que nós trabalhadores somos os responsáveis por este cenário: faltou organização, faltou dialogar, faltou construirmos juntos a consciência de classe. Muitos de nós trabalhadores não nos identificamos como tal e desta forma fragmentada, hifenizada, desorganizada reproduzimos o pensamento burguês.

Reproduzimos o que vimos e ouvimos nos mais diversos meios de comunicação brasileiro, sistema este que tem lado e esse não é o do trabalhador, mas o da classe dominante. Cabe a nós, sociedade organizada ou não, reascender a chama da esperança. 

Esperança essa que foi perdida; os ausentes nas urnas representam parte dessa desesperança. É salutar enfatizar que não procuramos um herói para salvar a classe trabalhadora, este herói, na verdade, somos todos nós. 

Os sindicatos precisam mais do que nunca ampliar os debates com sua categoria, chegando a pensar inclusive na classe trabalhadora. Os movimentos sociais precisam desfocar das suas bandeiras e começar a discutir amplamente os rumos do nosso Brasil. 

Perdemos uma batalha, mas a guerra ainda está por vir; temos pela frente a votação da PEC241: a famigerada PEC da MALDADE que CONGELA e SEPULTA a política de bem esta social, embora nunca tínhamos tido. 

Por que chamo a PEC241 de PEC DA MALDADE? Veja bem, em uma sociedade que a cada ano aumenta o número de habitantes, que a cada mês sofre com o aumento dos medicamentos (valor equiparado ou até mesmo superior a inflação), em que a educação necessita cada dia mais de maiores investimentos, para que possamos manter o pouco que temos, como manter investimentos na saúde, na educação e na previdência social sem aumentar as despesas?

Venderam esta falsa verdade para os trabalhadores: de que o único caminho seria o congelamento dos “gastos do governo”. Isto é MENTIRA! Propomos uma reforma fiscal urgente no Brasil, onde os ricos (quando falo os ricos, são aqueles que ganham mais de 25 salários mínimos por mês) paguem mais impostos para aqueles que nada tem. Propomos cobrar as dívidas das grandes empresas com o governo, posso citar aqui a Rede Globo entre outras. 

Acredito que neste momento o vencedor é a classe dominante que mais uma vez, através de seus mais diversos tentáculos, se utilizou dos trabalhadores para fazer as alterações que melhor lhe agradaria; ou alguém ainda acha que o Doria (prefeito eleito de São Paulo) vai pensar nos trabalhadores?

Poderia muito bem ainda decantar o golpe dado em um governo legitimamente eleito, mas o faremos em outra oportunidade. Fica também para outra ocasião o Debate sobre a aposentadoria para homens e mulheres aos 65 anos e o debate sobre a autorização de descontos nos salários dos dias de greve dos funcionários públicos. 

Apesar de tudo, o que ainda nos move ou que pelo menos deveria mover, seria a esperança dos jovens secundaristas e universitários que estão ocupando as escolas e universidades pelo Brasil a fora. 

Sigamos em frente, provocando o diálogo, os debates, as inquietações, as visões diferentes de cada um de nós.