Sindicato do Bancários Zona da Mata e Sul de Minas - SINTRAF JF
Opinião e Artigos

A Reestruturação Produtiva e a Tecnologia

Por João Hilário Neto e Robson Marques - Diretores do SINTRAF JF

Com a crise do sistema capitalista mundial na década de 1970, as empresas na tentativa de se manterem competitivas, deram início a mudanças em suas estratégias comerciais. Nos países periféricos de capitalismo tardio como o Brasil, estas alterações são iniciadas a partir de 1980. No entanto há uma acentuação na década de 1990 com a abertura do mercado (globalização) pelo então presidente Collor intensificada no governo de Fernando Henrique com a implantação do Plano Real. 

Como resultado da reestruturação produtiva, temos a criação de monopólios industriais, a terceirização da mão-de-obra nas atividades meios. Por exemplo, no sistema bancário podemos citar a terceirização da vigilância, dos serviços de manutenção, do transporte de valores, dos serviços gerais. Funções que eram desempenhadas por trabalhadores bancários. Além da fusão de bancos, privatização, abertura de plano de demissão voluntária, plano de demissão especial e a implantação da tecnologia em ritmo acelerado.

O organograma dos bancos foi horizontalizado reduzindo os níveis de hierarquias, concomitantemente vários bancários são demitidos, enxugando consideravelmente os números de trabalhadores. Erámos 1,5 milhão trabalhadores, hoje somos pouco mais de 460 mil. Continuando a receita do capital, os bancários foram submetidos aos programas de qualidade total, dos sistemas just-in-time, salários indiretos como a PLR, e demais programas de remuneração variável, incentivando a competição interna onde o individualismo ganha força.

As mudanças também se deram nas estruturas físicas das agências. Houve redução drástica da chamada retaguarda dos caixas e a ampliação dos autoatendimentos com a implantação maciça de caixas eletrônicos, aliada a campanhas junto aos trabalhadores bancários e aos clientes para utilizarem as máquinas para cadastramento de contas em débito automático, consultas de saldos, extratos, saques, pagamentos, transferências bancárias entre outros produtos e serviços.

No entanto a chamada quarta onda da reestruturação produtiva bate à nossa porta, mais uma vez os grandes, médios e pequenos bancos (se é que ainda existem) estão investindo pesado na automação bancária. Segundo dados da pesquisa encomendada pela Febraban – Pesquisa de Tecnologia 2017 a movimentação através do Mobile Banking (pelo celular através de app´s) é responsável por cerca de 34% das operações realizadas, sem falar nas agências digitais que estão a todo vapor.

Aliado aos ataques aos direitos da classe trabalhadora, com a lei de terceirização, reforma da CLT e reforma da previdência, os bancos mantêm a política de redução de custos, e apostam mais uma vez na desmobilização dos bancários.

Agora mais que nunca precisamos continuar unidos, só nossa força em conjunto poderá mudar o rumo desta história de retirada de direitos conquistados através de muitas paralisações, greves e manifestações. Desta forma, o único remédio para a classe trabalhadora e para a categoria bancária é fortalecer o sindicato sindicalizando-se, votar com consciência (escolher candidatos que tenham compromissos com os trabalhadores) e intensificar a luta por dias melhores.