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Opinião e Artigos

8M gigante no Brasil e no Mundo

Um 8 de março gigante no Brasil e no mundo. Assim podemos falar do levante internacional de mulheres contra a extrema direita, por nossas vidas e contra todas as formas de exploração de nossos corpos em 2019.

Desde 2017 um movimento de solidariedade internacional retoma, a data do 8 de março, para as suas origens. Revolucionar a forma como encaramos o mundo. Protagonistas da dupla exploração do capital, as mulheres sempre estiveram à frente de grandes movimentos de massa por paz, direitos e pela socialização dos meios de produção.

A retomada desta data num viés de luta, visto que foi desfigurada pelo capital como mais uma data comercial, de lembrança da delicadeza e amor incondicional das mulheres recheadas de bombons, flores e mimos. Demonstra de forma inequívoca que a nova onda do feminismo que urge no planeta quer levar a cabo a real compreensão do termo feminismo: igualdade entre os seres.

As greves internacionais de mulheres ocorridas desde 2017 vêm ganhando força no mundo; “Se nossas vidas não importam, produzam sem nós”. Esse emblema é a chave da compreensão desse feminismo que toma as ruas, ele tem classe e tem raça. Um feminismo que sabe que a produção e reprodução da vida material está no alicerce da luta por igualdade, algo que só se constrói sob novas bases sociais e econômicas.

Nessa esteira, em 2017, foi criado o 8M/JF um fórum de coletivos e mulheres feministas com o objetivo de unificar a ação das feministas na cidade. O 8M é um fórum, sendo assim, várias concepções e vertentes teóricas sobre o feminismo estão reunidas nele. O importante de nossa união é a capacidade de articular atividades na cidade que demonstrem nossos pontos de unidade na luta. O Fórum se reúne mensalmente e além das demandas do cotidiano das opressões vividas pelas mulheres tratamos de buscar formação para os enfrentamentos diários. Na cidade não são poucas as questões a serem debatidas, vão desde a busca por representatividade substantiva até ações que busquem a efetividade das políticas públicas para mulheres.

Neste último 8 de março, além das violências e aumento alarmante do número de feminicídios no pais, tratamos da crueldade duplicada sobre nós, representada pela reforma da previdência. O desmonte da previdência proposto por Bolsonaro é danoso para o conjunto da classe trabalhadora, mas se impõem sobre nós mulheres reproduzindo a prática secular de não reconhecimento de nosso trabalho informal como produtor de valor e desgaste tanto quanto ou mais que trabalhos formais. Isso se não contarmos com o fato de que mesmo no trabalho formal somos alvo de exploração, opressão e assédios por nossa condição de mulher. Toda esfera do cuidado recai sobre nós sem que o Estado ofereça aparelhos mínimos como creches, atendimento digno de saúde e educação.

Em Juiz de Fora realizamos um café com as trabalhadoras na Praça da Estação, foi um espaço de acolhimento, abraços e de debate sobre nossa importância na sociedade e quão danosa é a Reforma da Previdência. Panfletagens e um ato político também marcaram a tarde e noite do dia 8 na cidade. Numa cadeia internacional, Juiz de Fora se fez presente na greve Internacional de mulheres tendo a categoria das técnicas administrativas da UFJF com paralisação exclusiva de mulheres. Nossa ideia é no próximo ano agregarmos mais categorias ao debate da paralisação de mulheres por nossos direitos e nossas vidas.

Dia 14 cobramos justiça por Marielle e tudo que ela representa, no marco de um ano de sua execução ainda não esclarecida e devidamente punida. Marielle corporificava nossa luta, mulher, feminista, negra, LGBTI, socióloga, Mestra em administração pública, mulher da favela, da periferia. Seu corpo e atitude eram e são espelho pra milhares de nós.

Procure-nos nas nossas redes sociais e venham construir conosco a primavera feminista!
@8mjuizdefora

https://www.facebook.com/8MJuizdeForaMG/

Por Lucimara Reis – Professora de História, mestranda em Serviço Social pela UFJF, integrante do 8M/JF