Sindicato do Bancários Zona da Mata e Sul de Minas - SINTRAF JF
Opinião e Artigos

Dois caminhos, apenas uma escolha: Ele Não!

Por Robson Marques - Diretor de Formação e Políticas Sociais do SINTRAF JF

 

Trabalhadores, em tempo de retrocesso no que tange as retiradas de direitos trabalhistas com a contrarreforma da CLT, congelamento dos “gastos públicos” por 20 anos, assim determinado pelo atual governo, e de possível contrarreforma da previdência social, cabe-nos dois caminhos a escolher. 

O primeiro é exercer o voto como mecanismo de resistência contra o golpe, contra a retirada de direitos fortalecendo o trabalhador e barrando uma contrarreforma da previdência, é votar na ampliação da educação pública de qualidade, é permitir que mais crianças não morram de fome, é permitir que a miséria seja extinta.

Não podemos esquecer, querem que trabalhemos até os 65 anos de idade. Não consigo imaginar um bancário trabalhando em ritmo acelerado para bater as metas inatingíveis num momento onde deveria estar aproveitando a vida, ou até mesmo não estou convencido que teremos emprego formal, com carteira assinada dentro de 2 anos, caso o projeto de um determinado candidato saia vencedor.  

O segundo é o caminho do fortalecimento do sistema capitalista em detrimento aos nossos direitos, onde as contrarreformas com certeza serão ainda mais intensificadas, seja com a aposentadoria a partir dos 65 anos de idade para homens e mulheres, seja também com o fim do 13º e adicional de férias, conforme entrevista do candidato à vice-presidente do Brasil, o General Mourão (PRTB). Os banqueiros estão assanhados pela vitória deste projeto de um candidato fascista.

Não quero acreditar que seremos algozes de nós mesmos, que endossaremos a entrega de nossas empresas públicas para a iniciativa privada, não quero e não posso acreditar que votaremos em uma proposta onde está claro para todos que farão a entrega do Banco do Brasil e da Caixa Econômica aos predadores internacionais. Ele não, ele nunca.

Proponho uma reflexão profunda sobre qual Brasil queremos: o do avanço das políticas públicas onde todos serão atingidos por melhorias proporcionadas pelo o Estado, onde teremos uma política séria de educação, saúde, transporte e emprego; ou um Brasil onde seremos mais uma vez reféns do Fundo Monetário Internacional (FMI) e sua sanha pelas riquezas aqui produzidas, como nos governos do PSBD.

Vejam o caso da Argentina, o atual governo foi de caneca pedir dinheiro para o FMI e em contrapartida necessitou aplicar reformas aviltantes contra a população, lá a energia elétrica aumentou cerca de 1000 % em pouco tempo.

O discurso contra a corrupção tão bem empregado por um determinado candidato não passa de palavras ao vento. Para qualquer bom analista, combater a corrupção não é liberar o porte de armas, não é ser homofóbico, misógino e racista, mas sim, investir na educação pública de qualidade, é ampliar as políticas públicas com sabedoria para fazer a divisão das riquezas produzidas de forma igualitária.

Peço que reflitam, e tirem suas próprias conclusões. É incabível a resolução de problemas sociais, sejam eles de violência, de saúde, de educação, de transporte, de acesso a casa própria agindo com truculência e desrespeito. Há sim muitas questões que precisamos debruçar para chegarmos a uma solução. No entanto, para mim, somente através do diálogo, respeito, da capacidade de interlocução, da ousadia em fazer justiça social é que conseguiremos arrumar as coisas que Temer destruiu. 

Não se deixe enganar pelo o caminho do ódio, o sistema capitalista tem a máxima de fazer com que pensemos somente no individual, impera a meritocracia, privilegia o mais forte em detrimento do mais fraco. Bem sabemos que este caminho traz consigo um rastro de sangue, de perversidade e ao final de arrependimento. 

É como cidadão brasileiro, pai, trabalhador que escrevo este breve relato de minhas inquietações acerca da situação pelo qual estamos expostos. Quero mais universidades públicas, salário digno, carteira assinada, o fim do assédio moral, mais justiça social, mais equidade e saúde pública de qualidade. Não desejo terceirização, não quero agências digitais em substituição a mão de obra, não quero desemprego, não quero a fome, não quero racismo, não quero truculência. 

No dia 28 de outubro, votem com esperança, com sabedoria, com respeito, com quem de fato pode fazer o Brasil feliz de novo.