Sindicato do Bancários Zona da Mata e Sul de Minas - SINTRAF JF
Opinião e Artigos

O pato amarelo da FIESP e o Povo Brasileiro

Por Robson Marques Diretor de Imprensa do SINTRAF JF

Há 14 meses vimos em São Paulo e em grande parte do país um pato amarelo sendo exaltado. Para a surpresa dos pensantes ele era feito aquele bezerro de ouro da bíblia. Foi adorado, ovacionado, carregado, mas o que ninguém desconfiava era que estes mesmos trabalhadores, suspostamente seduzidos pelo grasnar do pato amarelo da FIESP, seriam aqueles que agora PAGAM o pato. Se não fosse trágico, seria cômico o pobre sempre sustentando as benesses dos patrões.  

Pois, bem, a burguesia podre brasileira com a ajuda de uma parcela da classe trabalhadora (que não se reconhece como classe) derrubou uma presidenta eleita democraticamente. Ainda nesta trama ardilosa temos a participação da mídia, do judiciário, do parlamento e seus deputados a serviço do mercado; todos manipulando e sendo manipulados, uma vez que por de traz deste golpe está o sistema financeiro, ou melhor, os bancos com sua gana insaciável, havido em ampliar sua concentração de riqueza.  

Neste mesmo golpe (ainda não terminado) a mídia e seus tentáculos iludem o povo em seus jornais de péssima qualidade, no que tange a busca da verdade, já que produzem e reproduzem notícias seletivas, falaciosas, carregadas do mais puro ódio de classe. Vendeu a ideia que para nos tornarmos uma potência seria necessário regulamentar a situação dos trabalhadores informais, dos desempregados, do lúpem da sociedade burguesa através de várias reformas. 

As perdas estão aí na nossa frente, com a terceirização da atividade fim das empresas; lutávamos anteriormente contra a PL4330, esta ficou na gaveta; eles a deixaram de lado, tiraram uma pior e como num passe de mágica aprovaram a tão escabrosa lei. Para que os leitores não se esqueçam, esta lei vai permitir que uma empresa contrate uma pessoa jurídica para prestar o serviço anteriormente prestado por um pai ou mãe de família. Cito como exemplo uma gerente de negócios que trabalhava no banco, realizava visitas, abria contas, prestava assessoria em ativos e passivos e ao final do mês recebia seu salário. Agora presta este mesmo serviço, porém sem vínculo empregatício, sem tíquete alimentação, sem décimo terceiro, sem férias, sem PLR, sem sequer ter o direito de adoecer, uma vez que pessoa jurídica é pessoa jurídica, não passa pelos problemas que nós seres humanos passamos. 

Não obstante a terceirização, temos bravata da previdência quebrada, algo que foi provado ser mentira nestes dias através de uma sindicância no senado. O desgoverno do temeroso quer entregar nossos direitos à iniciativa privada. Ter que contribuir por 49 anos ininterruptos e ter no mínimo 65 anos de idade para se aposentar, num país que em determinados lugares a média de vida é de 56 anos, é fazer o trabalhador trabalhar até morrer. 

São tantas atrocidades que fica até difícil dialogar. Outra questão é o congelamento dos chamados “gastos públicos”, se já neste ano a polícia federal suspendeu algumas atividades imaginem em 2018, 2019 onde os já insuficientes repasses estarão congelados. 

Agora, uma coisa precisamos compreender e tirar o chapéu para este temeroso e seus carrapatos, a contrarreforma da CLT aprovada na primeira semana de julho retirou direitos históricos dos trabalhadores e embora tenha tido resistência nas ruas e no próprio senado, não arredaram o pé e aprovaram com folga. 

A desinformação ainda paira sob o mundo dos trabalhadores, muitos nem sequer têm a noção das perdas com a aprovação da contrarreforma da CLT. As férias agora poderão ser dividas em 3 vezes. Sabe aquela pausa antes de realizar horas extras (embora saibamos que banco nenhum respeita, motivo pelo o qual ganhamos ações trabalhistas em favor dos bancários) agora já não mais se caracteriza como direito, todo o fim de ano os trabalhadores assinarão um termo de quitação e desta forma não poderão questionar na justiça trabalhista. O trabalho intermitente agora também fará parte do cotidiano da classe, onde o banco poderá contratar bancários para trabalhar durante uns 5 dias por mês. 

Vejam que embora o desgoverno fale que não há retirada de direitos a classe trabalhadora está perdendo de goleada para os pseudo representantes do povo e seus patrocinadores – os banqueiros. A nós, não nos resta outra opção a não ser lutar, resistir e avançar. Podemos ter perdido a batalha, mas esta guerra está longe do seu término. As centrais sindicais sérias chamaram para manifestações, paralizações e greves, e a classe trabalhadora ainda acanhada compareceu. No entanto, esta batalha precisa de novos trabalhadores, não há outro caminho a ser seguido: a luta por nossos direitos é inevitável ou estaremos em pouco tempo sem nenhum direito. 

Tanto o golpista temeroso e o Rodrigo Maia já afirmaram que o compromisso deles é com o mercado, desta forma os banqueiros estão mandando e desmandando no Brasil. A Caixa anunciou o retorno do PDVE e ainda anuncia sua redução de agências e consequentemente diminuição do papel social que ocupa no país, por outro lado o Bradesco pela primeira vez lança de surpresa um plano de demissão especial direcionado aos bancários com no mínimo 10 anos de banco. 

Bem, assunto é que não nos falta, e a luta? Esta está apenas no início, arregacemos as mangas e vamos às ruas por um país mais justo, porque 2018 está aí e precisaremos nos organizar afim de elegermos pessoas que tenham o compromisso conosco, trabalhadores assalariados.