Comando Nacional cobra da Caixa quadro de 100 mil empregados
O Comando Nacional dos Bancários realizou na última terça-feira (13) a terceira rodada de negociação com a direção da Caixa Econômica. No centro da mesa de debates estiveram três pontos principais: carreira, jornada de seis horas e isonomia.
Os empregados da Caixa reivindicam que até 2012 a Caixa atinja o quadro de 100 mil empregados. "O banco reconhece que houve aumento da demanda de trabalho, mas relega novas contratações à autorização de órgãos controladores. Enquanto a empresa coloca empecilhos, na prática os bancários vivem as consequências da sobrecarga de trabalho, o que gera adoecimento", afirma Plínio Pavão, secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT. "Sem contar que a necessidade de mais horas trabalhadas acaba gerando mecanismos para burlar o ponto eletrônico, gerando fraudes nas horas extras", avalia.
Carreira
O Comando reivindicou transparência no Processo Seletivo Interno (PSI). A Caixa se dispôs a fazer um debate com técnicos na área para que seja possível pontuar os problemas e avançar na proposta.
Os bancários reivindicaram a criação de cargos específicos na área de tecnologia da informação. "Essa foi uma preocupação também apresentada pelo banco. Chegaram a nos dizer que 'há necessidade de retenção de talentos'. A Caixa ficou de apresentar proposta", declarou Plínio.
O Comando reivindicou ainda mudança de postura em relação aos participantes do REG/Replan não-saldado, que vêm sofrendo inúmeras discriminações por parte da empresa. Esses empregados ficaram, por exemplo, impossibilitados de aderir à tabela salarial unificada do PCS de 2008 e, em 2010, foram excluídos do Plano de Funções Gratificados, entre outros prejuízos. Outro ponto tratado sobre carreira foi em relação ao poder arbitrário dos gestores de destituir os empregados de suas funções. "Destituições acontecem sem nenhuma cerimônia. Não é possível que uma pessoa, que passa por processo de seleção complexo, de uma hora para outra, seja destituída de suas funções. A Caixa é muito resistente com isso, é uma questão de manutenção do poder", avalia Plínio. A Caixa sinalizou que está estudando e pretende apresentar proposta.
Jornada
A jornada de seis horas esteve também na mesa de debates e foi negada pela Caixa. Em relação à jornada de trabalho foi pautado ainda o fim das horas negativas no Sipon. "O sistema de ponto eletrônico existe para minimizar as fraudes que podem acontecer e as horas negativas abrem portas para a fraude. Queremos rever isso", indica Plínio.
Valorização do piso
Houve, em função da valorização do piso salarial, um acerto da curva salarial no valor de R$ 39, reajuste concedido para todos os empregados. Mas os bancários participantes do REG/Replan não saldados foram deixados de fora. "Reivindicamos que, em uma demonstração de um inicio do processo de superação da discriminação em relação a estes empregados, que eles também sejam incluídos no reajuste", afirmou Jair Ferreira, coordenador da CEE Caixa.
O Comando deve se reunir novamente com a Caixa na próxima quarta-feira, dia 21, em Brasília, quando o banco apresentará proposta às reivindicações.
Com informações da Contraf-CUT