
Pareciam os anos 80! Ao descer o Calçadão da Rua Halfeld, local de maior concentração de agências da cidade, em um dos dias da Greve dos Bancários, qualquer cidadão ou cidadã com mais de 40 anos de idade suspeitaria que teria voltado no tempo.
Isso mesmo! A força da nossa greve foi tamanha que pode ser comparada às grandes paralisações ocorridas logo após o fim da ditadura. Desde aquela época, jamais, na recente estória das nossas campanhas salariais, havia se parado espontaneamente tantas agências de bancos privados em Juiz de Fora e no Brasil.
Infelizmente, com o passar dos anos e o aumento do fantasma do desemprego, a parcela da categoria que trabalha nas instituições financeiras privadas foi deixando-se vencer pelo medo e pelo individualismo, tão exaltado nos anos de FHC, e se desmobilizando. Assim, ano a ano, essas agências só eram paradas na base de fortes piquetes, salvo raras exceções. As greves, então, tornavam-se “obrigação” natural dos bancários e bancárias do Banco de Brasil e da Caixa.
Mas em 2011 essa lógica mudou. O Itaú foi o grande vencedor em número de empregados em greve. Seguido pelos trabalhadores da Caixa e depois, BB. Vitória! Vencemos a intransigência de patrões insensíveis aos nossos direitos e necessidades. Ganhamos a queda de braço disputada bravamente por nós, com a nossa coragem e indignação, e por eles, sentados em cima de seus lucros estratosféricos e sua ganância desumana.
Vitória! Passamos por cima da incredulidade do capital que mais uma vez fingiu não saber que a nossa unidade é mais! Eles preferiram apostar em uma inexistente desmobilização a evitar uma greve de três semanas que castigou a população. Quanta insensibilidade e desrespeito por nós, seus empregados, e por toda sociedade, a quem deveriam prestar serviços de inequívoca qualidade!
Vitória! Vitória, sim, da unidade de uma categoria que se sabe bancária, toda ela, não importando qual seja o nome do seu empregador, se privado ou público. A Campanha Salarial Unificada dos Bancários é a nossa força maior, afinal alguém já disse que a unidade faz a força...
Vitória! Grande vitória política, pois mantivemos ganho real acima da reposição da inflação, melhoramos nossa participação nos gordos lucros e resultados que produzimos cotidianamente com o nosso trabalho. E mostramos que temos um projeto de País, onde os bancos funcionam para atendimento ao público de manhã à tarde e não poucas horas como é hoje.
Só lamentamos que nem toda a categoria pode saborear essa inquestionável Vitória. O sabor da luta só está naqueles que acreditam no coletivo, acima de seus interesses pessoais. Digam o que quiser, mas os colegas que “furam” o movimento e não saem de seus postos de trabalho só o fazem por medo. Que pena! Não sabem como é bom lutar e voltar ao trabalho de cabeça erguida!
Fica aqui então meu convite: em 2012, se os banqueiros duvidarem novamente de nós, venha conosco mostrar a sua família, seus filhos, pais, irmãos, amigos, que você é maior que seu medo, que seu trabalho vale mais e que acredita que uma sociedade justa e igual se constrói com todos e para todos. Unidade sempre!