A procrastinação no Banco do Brasil
Procrastinar significa adiar uma ação ou uma decisão. No popular seria algo como "empurrar com a barriga", enrolar. Infelizmente esta tem sido a postura do BB no tratamento de várias questões do funcionalismo.
Na negociação salarial do ano passado, o banco se comprometeu em apresentar uma proposta até 30 de junho de 2010 para o PCCS, o piso e o "famigerado" plano odontológico. A exemplo de outros prazos desrespeitados pelo banco, até agora nada foi negociado. Só procrastinação.
Pra piorar, na mesma semana o jornal "O Globo" publicou em 28/06 um artigo informando que, segundo levantamento feito junto aos dados enviados pelo BB à CVM, o "alto escalão" do banco (leia-se a diretoria), nos últimos três anos teve um reajuste de aproximadamente 66% nas suas remunerações médias, que seriam aproximadamente de R$ 72.500,00. Aí fica fácil saber por que nossas metas são tão altas, é para pagar essa turma! É revoltante! O banco ainda tentou se esquivar da discussão afirmando que estes salários são inferiores aos pagos pelo Bradesco e pelo Itaú aos seus executivos. Só se esqueceu que o BB é um banco público, ou seja, do governo e pelo menos em tese, do povo brasileiro.
Sem querer entrar no mérito deste argumento, nem discutir se estas pessoas merecem ou não toda essa grana, o que me revolta é a indiferença do banco em relação as questões que afligem os mais de cem mil bancários, que todo dia se matam nas agências em busca de números cada vez maiores e melhores.
Pra colocar um pouco mais de pimenta neste angú de caroço, dados da Rais estudados pelo DIEESE, mostram que após o PAA, quando saíram mais de 10 mil funcionários, a remuneração média no BB despencou da primeira posição entre os bancários em 2006, para a terceira colocação em 2008, atrás de CEF e Itaú, quase empatado com o Bradesco, que provavelmente também ultrapassará o BB ainda este ano.
As remunerações rebaixadas forçaram os funcionários a entrar numa luta desesperada pelo comissionamento (vide o BB 2.0). Como conseqüência, este ambiente produz situações que nem sempre são tão éticas entre os companheiros de trabalho, quanto mais leais. A ideologia do “se dar bem custe o que custar” está deixando cada vez mais longe a idéia daquele banco que se dizia uma família.
Não sou nem pretendo ser proselitista, somente chamar o funcionalismo a sair da passividade e lutar por um emprego melhor. De procrastinação, já basta na administração do BB.
Devemos reagir para mostrar nossa insatisfação contra a política de remuneração do banco, inclusive com relação aos valores pagos nas comissões, que em geral, são inferiores aos principais bancos. Não obstante, urge a construção de um plano de cargos e salários que contemple questões como a incorporação das comissões ao salário, o piso e os interstícios. Sem falar na remuneração variável, que já existe no Itaú, no Santander e na CEF, que premia o atingimento das metas.
Ou seja, demandas não faltam, mas para avançar é preciso estar pronto para a luta, participando das mobilizações do sindicato, principalmente das assembléias, atos, paralisações e greves. É preciso lembrar que, assim como na vida, as conquistas serão proporcionais ao nosso esforço. Por isso, novamente convocamos o funcionalismo do BB para discutir, debater, pleitear, participar, se manifestar e lutar nessa campanha que se iniciará em setembro de 2010. A nossa hora é agora! Acreditem!