A bilhetagem eletrônica e os trabalhadores
Robson Marques*
Nestas últimas semanas temos acompanhado nos meios de comunicação de Juiz de Fora uma propaganda sedutora sobre a Bilhetagem Eletrônica. Uma moça muito simpática tenta passar para nós, usuários do transporte público, a ideia de que a bilhetagem eletrônica é a melhor opção, vinculando a compra do bilhete com a preservação da natureza e com a sustentabilidade.
Quem sairá ganhando de verdade é a associação que reúne os proprietários das empresas de ônibus na cidade (Astransp) e seus associados, uma vez que o bilhete eletrônico é intransferível, você só consegue usá-lo pela segunda vez após dez minutos, e embora o primeiro cartão irá ser entregue a você sem qualquer custo, a segunda via custará cerca de dez reais.
Mais uma novidade: a compra das passagens será feita através da internet, e como consequência haverá demissão de funcionários. De acordo com o que foi dito na última reunião do Conselho Municipal de Transportes de Juiz de Fora, os passageiros irão embarcar pela porta de frente dos coletivos, o cobrador ficará mais próximo do motorista e, com o advento do bilhete eletrônico, assim como em outras cidades que houve a implantação, haverá gradativamente a demissão dos 550 cobradores.
Esta é a realidade da bilhetagem eletrônica. Quando fui conselheiro de transporte em Juiz de Fora, fui contra a implantação e inclusive relatei todas essas atrocidades contra os trabalhadores e usuários. Na oportunidade, fui voto vencido. Inclusive o próprio sindicato dos trabalhadores do transporte coletivo votou a favor desta medida. Esta é a verdadeira face da bilhetagem eletrônica que estão implantando em nossa cidade, visa somente o aumento do lucro do empresariado e a exploração dos trabalhadores e usuários.
Estamos de olho e prontos para continuar denunciando a toda população de Juiz de Fora e Região. Diga não à bilhetagem eletrônica.